"A manter-se estes atrasos, não sei como será o futuro. Vamos tentar não desistir de nenhuma modalidade, mas poderemos voltar ao ano zero, ou seja praticar desporto sem qualquer tipo de apoio", Carlos Pereira, in DN 19.06.11. Estas as declarações do Presidente do CS Marítimo, com as quais concordo, levaram-me a escrever esta crónica. Envolvida actualmente num contexto financeiro crítico, a Região, através do IDRAM, ainda não conseguiu cumprir os prazos de pagamentos de acordo com os contratos-programa, no que respeita à competição nacional, firmados entre este organismo e os clubes regionais. Se é certo que os clubes devem empenhar-se em garantir alternativas de apoio às suas diferentes modalidades, também não é menos verdade que o principal patrocinador, logo investidor, é o Governo Regional, através de uma política desportiva que deixou lastro e que prevê o apoio ao desporto na Região. Num processo em cadeia, toda esta conjuntura económica levou a que os clubes por sua vez não tenham conseguido cumprir com as suas obrigações, conduzindo ao descontentamento entre dos diversos protagonistas envolvidos - técnicos, atletas, fisioterapeutas, massagistas, dirigentes, pais de atletas. Chegou a hora de, definitivamente, tomar decisões. Tomar decisões, mesmo que não direccionadas para os interesses de todos. Tomar decisões, provavelmente privilegiando uns em detrimento de outros. Agir, acima de tudo, com uma visão empreendedora do futuro. E adoptar resoluções sem receios. Já Karl Kraus, dramaturgo austríaco, afirmava: "Os fracos ficam em dúvida antes de tomar decisões, os fortes depois". Os clubes devem e têm de estar preparados para a mudança. Caso contrário, e a manter este cenário, tudo o que até à data foi bem feito, rapidamente cairá no esquecimento.

Bernardo Vasconcelos, Professor de Ed. Física