GHFDepois de alguns dias de expectativa, já todos os portugueses comentam a composição do novo Governo que hoje toma posse. À semelhança dos votos de Ano Novo, renovamos a esperança de que é desta que vamos conseguir voltar ao caminho do crescimento económico e que o pior dos nossos problemas está a ser resolvido. Infelizmente o novo governo não faz milagres e todos temos que colaborar para que a nossa dívida diminua e o nosso deficit externo se desagrave. Temos todos que aceitar viver com o que temos e que não existe a possibilidade de mantermos níveis de consumo para além do que produzimos. Temos que trabalhar muito e bem. Porém, trabalhar com esperança é diverso de trabalhar sem esperança alguma. É desta também que precisamos para a melhoria do desempenho económico e produtivo na multidimensionalidade. As "surpresas" do novo governo têm a virtude de renovar a esperança. Dois ministros merecem o meu destaque: O Prof. Doutor Nuno Crato e o Prof. Doutor Vitor Gaspar. Com o primeiro conversei num encontro sobre a "liberdade de educação", no qual ele se revelou muito crítico do estado da educação em Portugal. Manifestei-lhe a minha compreensão, pois, os professores conhecem o estado em que os alunos chegam à universidade. Estes além da falta de conhecimentos elementares evidenciam um gritante destreino em raciocinar e em utilizarem o já conhecido para aprenderem novos assuntos e adquirirem novas competências. É urgente repor na área da educação os valores que sempre levaram ao sucesso: o esforço, o trabalho e o mérito. Ao novo ministro da educação desejo-lhe toda a força nesta árdua tarefa. O novo ministro das finanças conheço-o desde os anos 80, altura em que fui um dos arguentes no Júri tanto da sua prova de Doutoramento como depois no Júri da sua prova de Agregação. Não tenho, pois, quaisquer dúvidas das suas capacidades académicas bem como da larga experiência internacional que possui não só de trabalho mas também de negociação, sem nunca deixar de se preocupar com as implicações das políticas nas pessoas. É isto que tem faltado a alguns políticos: esclarecerem quem vai pagar os custos daquilo que prometem por puro eleitoralismo. Destes "visionários" está o país cansado e graças a eles esta e muitas gerações futuras ficaram com as facturas para pagarem, sem disso terem tido consciência plena. Ora, é isto que a sociedade actual rejeita. Daí a esperança colectiva de que com Governo novo, atitude nova.

Pedro Telhado Pereira, Professor Catedrático da Universidade da Madeira