Imediatamente antes das eleições, passei 15 dias na Madeira, donde regressei a tempo de votar. Coerentemente com o meu último artigo, não votei no PS nem em pseudo-candidatos - o tempo era de votar por Portugal. Como os resultados mostraram, também a maioria dos Portugueses e dos Madeirenses, em particular, assim votaram. Mas, eleições são passado e a expectativa agora é o governo a dois dias de ser empossado, apoiado que está em uma base nacional sólida de que se espera a tarefa enorme de fazer sair Portugal do 'lamaçal' para onde os governos socialistas dos últimos 6 anos, atiraram o País. Como é natural, estar na Madeira é sempre motivo para além de férias e de rever Amigos, ver e reflectir sobre a evolução de muitas situações que apelam para a minha atenção e a que me não escuso de comentar, ainda que sucintamente. No dia seguinte à chegada ao Funchal, fiz o percurso que sempre apetece, a caminho da cidade, descendo a pé, a Rua Carvalho Araújo até à rotunda da Pontinha, abandonada que estava no fim do ano e que após ter beneficiado de arranjo ornamental por entidade a quem isso não competiria, como li nos jornais, tornou a ser 'desarranjada', para ser refeita, oxalá, de vez. Continuando, pela Sá Carneiro, quase não queria acreditar que o 'tapume da vergonha' subsiste mas agora diria ser o 'tapume do desespero', sendo os passantes - turistas na sua grande maioria - obrigados a um percurso que é difícil de qualificar, através de uma nesga de passeio, interrompida aqui e além, com enormes riscos para os transeuntes, uma situação que se arrasta desde 2008, quando iniciaram os trabalhos de requalificação do cais norte. Chegado à Avenida do Mar e ao que foi o aprazível cais da entrada da cidade, agora absorvido ou quase pelo aterro de inertes depositados a leste do cais, o que contribui para tornar ainda mais aberrantes os famigerados "estabelecimentos de restauração de gosto e qualidade mais que duvidosos", que tardam em ser removidos, persiste a interrogação: e, agora…? Existe um projecto, contra o qual se levantam dúvidas, cordões humanos, petições públicas donde mal transparece o que se pretende e daí inconsequentes, muitas críticas sem apresentar alternativas consubstanciadas e credíveis, enfim um montão de nada ou, como diziam os latinos, 'nulla res nata'. No cais, olhando o Palácio de São Lourenço, recordei o que lera nos jornais, de à velha fortaleza ser imposto mais um inquilino, a Provedoria de Justiça - um escolho mais, para adiar a devolução à Região. Por arrastamento, envoltas em alguma poeira, outras situações há, que preocupam mas que, por limitação de espaço, abordarei mais tarde, limitando-me a enumerar umas quantas mais gritantes - o Minas Gerais, o Vila Vitória, o Savoy, todos ao longo da Avenida do Infante, a Quinta Nogueira, sobranceira ao Ribeiro Seco e, finalmente, a Praia Formosa. A poeira no ar é muita, havendo que deixar assentar!

Francisco Leite Monteiro