As Festas do Concelho têm o seu auge na véspera de S. João com o desfile das marchas populares. Iniciadas nos anos 70 e recuperadas na década de 90 do séc. XX, sempre pela vereação socialista, a ambição era transformá-las num cartaz turístico. Muitos duvidaram, mas o empenho da população mostrou que era possível. Este ano, alegando a difícil conjuntura, houve quem sugerisse a sua não realização. Ora, o orçamento anual da empresa municipal Areal Dourado é de 700 mil €, sendo cerca de 20% para as Festas de S. João. O que se fará com tanto dinheiro, quando a qualidade das actividades culturais nos últimos meses se degradou a olhos vistos? Paga-se a opulência dos últimos anos! O povo pobre nunca deixou de festejar o seu Santo mais estimado. Pior do que encurtar e alterar trajectos, é encurtar a memória! Em nome de um dito desenvolvimento, desvalorizou-se o passado, perdeu-se o envolvimento da população, abafou-se o cariz popular das festas: do banho na "água lâmpada" à festa da Adiafa, onde os carros de bois traziam os frascais enfeitados de canavieira; das janelas e dos fontanários ornamentados também com este arbusto; da competição sadia entre os Sítios, pela maior fogueira; do gaiado assado com bolo do caco, regado a bom vinho e rematado com a deliciosa Capela. Louvo a persistência e dedicação dos que, por vezes mal reconhecidos, vão trazendo a festa à rua. "Ó S. João eu quero cantar Dá-me um balão p'ra na marcha entrar A nossa marcha vai de rua em rua Ó S. João esta noite é tua!"
Renata Sousa, Vereadora PS-Porto Santo