"A redução da despesa em períodos de desemprego elevado é um erro. Os defensores da austeridade prevêem que esta produza dividendos rápidos sob a forma de aumento da confiança económica, com poucos ou nenhuns efeitos negativos sobre o crescimento e o emprego; o problema é que não têm razão." Paul Krugman (Prémio Nobel da Economia 2008) Estas palavras são de um economista que se situa ideologicamente do mesmo lado daqueles que subscreveram o Acordo com o FMI, o BCE e a UE. No entanto, faz-lhes advertências, não porque tenha preocupações sociais que o motivem mas porque no pragmatismo daquilo que designa por ciência, conclui que estas opções conduzirão à recessão prolongada. Afinal a quem interessa este acordo? Os únicos objectivos quantificados no Acordo são os referentes à redução anual do défice, ao corte das despesas públicas e ao aumento de receitas de impostos. Nem crescimento económico nem criação de emprego, objectivos que, facilmente, qualquer leigo entenderia como propósito razoável para os sacrifícios exigidos. A quem servirá então? Àqueles que cobiçam há muito, as lucrativas áreas que o Estado Democrático passou a regular e transformou em serviços aos cidadãos. Não lhes chega as "fatias de leão" que os sucessivos governos do PSD/CDS e PS lhes ofereceram, é necessário privatizar tudo desregulando completamente toda e qualquer garantia que a lei dá aos cidadãos. O objectivo é "americanizar" a saúde, a educação, a segurança social e tudo o mais susceptível de dar lucro, criar relações laborais permanentemente vulneráveis e precárias transformando o trabalhador numa peça de máquina e o trabalho numa mercadoria barata. O grande poder económico e financeiro internacional criou uma crise, abalou a credibilidade dos Estados Democráticos e pôs em causa a soberania dos cidadãos coarctando o exercício da cidadania e da liberdade. Até quando vamos ficar em silêncio?
Isabel Cardoso, Professora