Querido diário, no próximo fim-de-semana a minha equipa vai participar num torneio. Tem um nome esquisito… mas não importa. É mais um torneio! De certeza que vai ser fixe. Vou jogar, brincar, estar com os meus amigos, conviver… Estou desejoso que chegue o dia! … Querido diário, finalmente acabou o torneio! Já não aguentava mais lá estar! Só joguei pra aí uns cinco minutos, e quando joguei só ouvia os gritos do treinador e os berros do meu pai. E sabes? Eu quase não dormi a pensar nas jogadas que iria fazer e nos golos que iria festejar. Saí por falhar um passe. Mas não fiz por mal. Tive azar. Mas não tive hipótese de emendar o erro. Tive de sair. O que eu não percebo é por que razão isso não aconteceu com os outros! Também falharam passes. Ainda perguntei várias vezes ao treinador se me podia deixar jogar um bocadinho. Ele respondeu-me que para fazer o que fiz o melhor era ter ficado em casa e que a equipa não precisava de mim. O meu pai, no caminho para casa, disse-me que estava muito desapontado e que eu era uma desilusão. «Nunca chegarás aos calcanhares do Ronaldo, a jogar dessa forma!» disse-me ele. Eu chorei, pois eu gosto que tenham orgulho em mim. Mas eu nunca quis ser como o Ronaldo! Nem gosto dos brincos que ele usa! Yargh! Xi! O pior vai ser no próximo treino! Vão dizer-me que estive mal, que não podia falhar, e que tenho de treinar muito mais senão não terei hipótese. Mas a única hipótese que eu quero é jogar e divertir-me. Como faço na escola nos recreios. Porque será isso tão difícil de entender? Não importa! Vou dormir…

Paulo Fernandes, Treinador