Maria Fátima Nascimento Todos nós somos poetas. Podemos, no entanto, dividir esta categoria em duas grandes partes: os que escrevem e os que lêem. Não é melhor poeta aquele que escreve do que aquele que lê. A poesia exige sensibilidade e não é qualquer pessoa que tem sensibilidade para a leitura da poesia. Também este é um poeta embora não o saiba. Todo o leitor de poesia sente, empaticamente, a mensagem traduzida nas palavras lidas. Aprecia a musicalidade e o sentimento por ele libertados. E não me refiro a um tipo particular de poesia, mas a toda. Isto é não me refiro só à poesia editada em livros e escrita pelos autores, refiro-me a toda a poesia incluindo a aquela que sai do peito do nosso povo, de forma espontânea e franca traduzida na voz de quem a criou. Não há nada de mais belo! Ao definirmos literatura, empobrecemos um pouco este conceito, estreitámos as fronteiras, ligando-o só aos autores, sobretudo os reconhecidos. Não pode ser! Há todo um mundo para além desse! Em nada a poesia popular é inferior àquela que os autores escrevem. É tão-somente diferente! E a poesia não é só aquela que trabalha a língua de uma forma inovadora. É o sentimento e a musicalidade expressas em cada verso e/ou estrofe. É toda uma atmosfera que é preciso sentir. Todos nós somos poetas. Todos sentimos, uns mais do que outros, em determinadas alturas da vida uma sensibilidade que nos toca e à qual possivelmente nos entregamos, mesmo aqueles que nada deixam transparecer das suas vidas. Nas nossas vidas experimentamos vários tipos de emoções. São talvez esses momentos que nos transportam para outros estados de alma que nos fazem compreender o poeta. Pode-se gostar mais de uns do que de outros, mas tudo depende das experiências vividas pelas pessoas e que as faz entender melhor uns poemas do que outros. Tudo isso é normal. Por isso alguns nos dizem mais do que outros. Acontece comigo enquanto leitora e também acontece com outros. Depois, há aqueles que, detestam poesia não a conseguindo compreender. Há que respeitar estes, ainda que não concordemos com eles e não vale a pena tentá-los fazer entender seja o que for nesse sentido. Contra a má vontade, nada feito! E quando, ao ler o mesmo poema, acontece alguém interpretar o mesmo de uma forma completamente antagónica? Já aconteceu. Refiro-me aos adultos. As crianças gostam de poesia. Sabem apreciá-la e vivê-la de forma diferente dos adultos. Os adolescentes podem ter dificuldade em entender a mensagem do autor se a mensagem estiver expressa de uma forma intrincada, mas, depois de se explicar o significado, eles acabam por gostar. Mas nem todos gostam da mesma poesia. A poesia popular faz toda diferença aqui. Muito mais fácil de entender pode ser estudada de uma forma comparada nas escolas e perceber da qual gostam mais. O que não podemos fazer é apresentar-lhes só uma forma de poesia, porque a realidade não é essa. Depois, deixa-se a cada leitor a possibilidade de desenvolver o gosto por aquela que mais lhe disser, sem vaidades ou preconceitos. Deixem-nos decidir!