A Delegação Regional da Ordem dos Economistas, que em boa hora – e já lá vão cinco anos – resolveu organizar anualmente uma conferência sobre Turismo, colocou ontem no seu site as conclusões e recomendações saídas do último evento realizado no Funchal em Maio passado. Trata-se de um documento do maior interesse que merece uma profunda análise e um debruçar atento, não só da parte dos profissionais que se dedicam à actividade turística ou com ela se identificam, mas também da parte de todos os que abraçam profissões ou interesses na economia da Madeira, que, como sabemos encontra no turismo o seu principal motor. Agora mais do que nunca. De entre as recomendações salta à vista uma que creio ser certeira quanto ao futuro da actividade na Região Autónoma: “Criar condições para voltarmos a ter cadeias internacionais de renome a operar no sector hoteleiro”. Na verdade para um destino como o nosso, em que não abundam as verbas para as grandes campanhas de promoção e de publicidade, agravado pelo facto do entendimento entre as partes pública e privada não ser o melhor, é de todo essencial que se procure dar passos para que se consiga obter a breve prazo a presença na Madeira de uma ou mais cadeias internacionais de hotelaria que teriam, numa primeira análise, a vantagem de colocar o arquipélago com maior visibilidade entre os milhões de clientes que confiam e que são incondicionais dessas marcas. No passado estiveram instaladas na ilha importantes insígnias da hotelaria internacional. Recordo, sobretudo para os mais novos, que a Madeira teve hotéis geridos pelas cadeias Sheraton, Holiday Inn, Hilton e Crowne Plaza. Eram marcas que à partida tinham o potencial de serem conhecidas, de garantirem parâmetros interessantes de qualidade, de conforto e de serviço para os seus clientes, num universo muito grande. A presença da Madeira nos seus catálogos e a certeza de que muitos dos clientes dessas marcas fidelizam-se ao produto e as utilizam como opção primeira quando se deslocam em férias, era a certeza de que uma determinada fatia da sua ocupação seria garantida nesse circuito. Hoje temos ainda algumas cadeias. A Oriente Express, a Riu e a Melia estão na Madeira. Temos outras cadeias de prestígio nacional e já com reputação mundial, duas nascidas na Região e que têm hotéis cá (Pestana e Porto Bay) e Vila Galé, que é hoje a segunda do 'ranking' nacional. Mas precisamos de mais, a exemplo do que acontece com outros destinos que concorrem com o nosso arquipélago. Sem menosprezar os operadores independentes, que também garantem com dignidade a oferta e que contribuem para a qualidade de serviços que distingue o segmento hoteleiro na Madeira, é necessário cativar outras cadeias, ao mesmo tempo que devemos incitar os hoteleiros a celebrarem acordos com cadeias de reservas, como acontece com a Relais & Chateaux (Casa Velha do Palheiro) ou outros que estão também associados em cadeias de prestígio ou com operadores internacionais. A associação de hotéis da Região Autónoma a mais cadeias hoteleiras, casos da Starwood e da Hilton, por exemplo, deve ser um objectivo de quem hoje conduz os destinos do turismo regional. Será uma ajuda importante, e uma montra que não podemos desperdiçar e que no futuro se poderá revelar muito importante para o negócio do turismo, numa perspectiva de consolidação do destino. Quanto a voltarmos a usar a denominação de Pérola do Atlântico – que também consta dessas recomendações – acho que há um certo saudosismo na expressão, nomeadamente quando este negócio assumiu já um dinamismo tão grande, em que as campanhas de marketing têm de ser criativas e procurar cativar novas camadas de clientela. Porque Pérola do Atlântico seremos sempre, se soubermos cativar aqueles que nos visitam e lhes proporcionar aquilo que procuram: a beleza das nossas paisagens, sossego, conforto e o serviço que nos qualificou no tempo em que usávamos essa bandeira, e que, temo, possa ter se deteriorado nos últimos tempos…