Duarte Caldeira Ferreira Apesar da minha insistência permanente para a preferência no consumo de produtos madeirenses e portugueses, certamente que há muitos casos em que não o podemos praticar por falta de alternativa ou por preços excessivamente caros, entre outras situações. Não sou tão fanático quanto isso… Certamente que não recomendarei que consumam petróleo ou gás português por não há, mas poderei recomendar uma melhor racionalização do transporte automóvel, como por exemplo não andar sozinho e sempre que possível combinar com o seu vizinho e cada um trazer o carro uma vez nas suas deslocações para o trabalho, por exemplo…. Maior utilização dos transportes públicos, para aqueles que não tenham necessidade de se deslocar no trabalho, etc…. Casos há em que podemos diminuir muito o consumo da gás e falo por experiencia própria. Certamente que não está ao alcance de todos, mas só daqueles que possam disponibilizar dois a três mil euros. Estou a falar da montagem de aquecimento de águas através do painel solar. Como já disse eu tomei essa opção: escolhi uma empresa portuguesa, até porque é a mais barata que está no mercado e estou muito satisfeito porque estou a poupar, há cerca de um ano mais de 50% daquilo que gastava em gás. O nosso clima permite uma utilização entre 85 e 90% dos dias, variando com o facto de haver Sol ou não. Quanto mais pessoas fizerem esta opção menor será a importação daquele produto ou de petróleo, conforme a energia que utilizem no aquecimento de águas. Em relação a produtos de super mercado é necessário olhar não só para o código de barras, pois o número atribuído a Portugal é o 56……, mas fundamentalmente para a origem do produto. É frequente vermos alguns produtos embalados com o código de barras começado por 56, mas depois vemos a origem do produto de outro país. Ainda recentemente fui confrontado com vaginha fresca importada de Marrocos e pimentão enlatado da China (certamente importados em embalagens grandes ou a granel e reembalado em Portugal). O mesmo acontece com muitos outros produtos como o açúcar, o sal, o arroz, etc…. Quando vou ao supermercado, sempre de preferência madeirense, procuro explicar a uma ou outra pessoa, que geralmente não conheço, para escolherem português e se for madeirense ainda melhor e tenho sido bem aceite. Já vi pessoas a mudar o que já estava no carrinho. Se cada um de nós fizer isso, um dia chegaremos lá. Se quando trocarmos de carro optarmos por uma marca montada em Portugal, estamos a dar trabalho a portugueses. Quem diz o carro diz uma série de outras coisas, que pelo facto de ser montado ou mesmo fabricado em Portugal, a mais valia é muito maior…. Por outro lado há produtos que deveríamos ter vaidade em consumir, embora ligeiramente mais caro. Estou a referir-me á semilha (batata) produzida na Madeira, em especial nos concelhos de Porto Moniz e São Vicente, cujas propriedades organolepticas (sabor) são muito melhores. Experimentem cozinhar umas semilhas produzidas, por exemplo no Chão da Ribeira, Seixal e outras importadas, nomeadamente a "batata" préfrita congelada que vem da França e vejam a diferença…. A restauração e hotelaria deveriam ter uma certa vaidade em apresentar a quem nos visita produtos deste tipo, dizendo ao cliente " isto é produzido na Madeira"…. Por cada Euro a mais que consumamos português significa que é cerca de um euro e vinte a menos que sai para o estrangeiro, ou melhor é menos este valor que necessitamos de pedir emprestado lá fora para pagarmos o que importamos.