Em quatro meses teremos duas eleições na Madeira. Depois das eleições legislativas nacionais de 5 de Junho preparemo-nos agora para as eleições regionais de Outubro. Das primeiras, na Madeira, ficam as ilações: uma vitória do PSD-M abaixo dos 50%, o que paradoxalmente pouco os penaliza pela situação económica, social e financeira muito difícil em que se encontra a Madeira mas indicia uma perda de influência tendencialmente significativa; uma dispersão nas oposições com projecto governativo, com a aproximação entre o PS-M e o CDS-M - o que coloca ao PS-M o desafio decisivo de se reafirmar como o partido da alternância democrática e recuperar o voto urbano; a decepção dos pequenos partidos que chegaram a ter expectativas altas face ao desempenho do PND e de Coelho nas eleições presidenciais; o desaparecimento tendencial (definitivo ou temporário) de José Manuel Coelho e João Isidoro do panorama político madeirense. Uma palavra sobre o valor das abstenções. Em 2009, e de novo em 2011, o valor está acima dos 45%, um valor muito elevado que obriga todos os democratas à reflexão. Limpar cadernos eleitorais e abrir a possibilidade do voto electrónico são duas medidas evidentes, necessárias e urgentes, cujo atraso não se compreende. Infelizmente já não vai a tempo das eleições regionais de Outubro. O que vai a tempo, e é tarefa indispensável dos partidos madeirenses, é a procura da motivação dos eleitores (em particular o eleitorado jovem). Mas das eleições de Junho fica, uma vez mais, uma preocupação de ética. Não é aceitável a insistência do Governo Regional em participar em actos de inauguração em período eleitoral. Nenhuma razão de governação ou de prestação de contas aos cidadãos justifica tal atitude. Os princípios democráticos excluem-na liminarmente. Exemplo recente foi dado pela Espanha, nas últimas eleições municipais. Como regra obrigatória é "proibida qualquer acção organizada ou financiada, directa ou indirectamente, pelos poderes públicos que contenha alusões a realizações ou conquistas obtidas", a partir da marcação até ao dia das eleições. A proibição inclui "qualquer acto de inauguração ou anúncio de projectos para obras ou serviços públicos". Para as eleições de Outubro fica também um imperativo moral: o de as forças políticas concorrentes falarem verdade, face aos tempos difíceis que aí vêm. Responsabilidades particulares para quem tem exercido a governação durante estes longos trinta últimos anos. Dir-nos-ão os governantes 'laranja' a verdade sobre o garrote que se preparam para aplicar? Assumirão que na Madeira, de uma só vez, pagaremos anos de irresponsabilidade, demagogia e mau uso de dinheiros públicos? Dirão que não foram prudentes ao sobre-endividar a Região? Reconhecerão que só uma governação mais sensata poderia ter evitado o garrote que aí vem? Que nos trouxeram a um beco sem saída? Ou continuarão a acenar com inimigos externos… mesmo quando são governo na República?

Maximiano Martins