Aproxima-se o Verão, tempo de férias, de festas, de arraiais populares, mas também tempo de começar a recolher alguns produtos agrícolas semeados ou plantados no início da Primavera e armazená-los para assegurar o abastecimento durante o Inverno, mais ou menos como na história da cigarra e da formiga. Aproxima-se também o final das aulas e as férias grandes para os estudantes. Recordo-me do meu tempo em que esta era uma época muito desejada, embora a maior parte do tempo fosse para trabalhar. As férias eram apenas da escola. Como é óbvio, os tempos eram outros. Era nesta altura que começávamos a planear alguns encontros de amigos e de familiares, normalmente aos domingos. Muitas vezes, o pretexto para esse convívio era fazer uma panelada. Este termo caiu em desuso, pelo menos por estas bandas, mas, ao que me é dado saber, parece que no Brasil é muito usado. A panelada a que me refiro tinha uma mística e características próprias. Era algo parecido com o que hoje chamam de piquenique, com uma grande diferença: hoje para fazer o piquenique normalmente passamos pelo supermercado e compramos uma série de coisas, as quais metemos em sacos plásticos, com muita embalagem à mistura, que vão provocar uma grande quantidade de lixo. Uma panelada era uma coisa muito mais simples. Combinávamos entre o grupo o dia e local, normalmente na serra, assim como a ementa e o que cabia a cada um levar. Por exemplo: um ia à loja e levava um balaio de semilhas, outro levava as cebolas e alhos, outro ficava encarregado tirar um pedaço de carne porco da ressalga, outro de passar na fazenda e levar umas couves, por vezes alguém passava na mercearia e levava duas ou três laranjadas para misturar com o vinho, quando já era permitido, e pouco mais. Normalmente, com tudo preparado de véspera, pela manhã toca subir até ao Pé da Rocha, Chão dos Louros ou ao Caramujo e aí passar o dia em convívio, cantando e jogando. Uma panelada era uma coisa simples, mas muito divertida, tão divertida que se prolongava no tempo. Muitas delas começaram no dia em que começávamos a combinar as coisas e continuam até hoje. Quando as recordamos, ainda nos divertimos.

Joel Freitas, Presidente da ACIN