1 - O caso é para rir, não fosse esta uma afirmação de quem tem a responsabilidade de governar esta terra. Se percebi bem, a preferência do presidente do Governo Regional e líder do PSD-Madeira, vai para um Governo da República formado pelo PSD e... pelo PS. Sim, isso mesmo, o PS, ainda de Sócrates e que será de Seguro ou de Assis. Esse PS, diabolizado durante anos, inimigo sem a Madeira no coração, destruidor de tudo e mais alguma coisa, responsável por todos as tragédias que se abateram sobre Portugal, desde o terramoto de Lisboa às derrotas do Benfica. Pelo menos foi o que disse numa entrevista na rádio. E como a voz parecia a sua, vai ser difícil dizer que o jornalista é que deturpou. Mas nesta terra até isso é possível.

Admitindo que a euforia da vitória - traduzida naqueles insultos vomitados na baixa do Funchal na noite eleitoral - ainda não tenha passado, esta afirmação só pode ser de humor. Ou então o caso é grave.

Se não me falha a memória, há muito tempo que o mesmo que queria essa coligação de Bloco Central exigia, ao líder nacional do seu partido, o derrube o Governo socialista e uma alternativa de direita. Mesmo que para isso seja necessário travestir o PSD de partido de direita, negando todas as suas origens. Passos Coelho, por sua vontade ou, como preferem aqueles que ainda acreditam que desta terra sai alguma influência política, seguiu a sugestão e fomos todos para eleições. Ganhou e vai formar Governo com Paulo Portas, como tinha ficado acordado. Parecia tudo bem mas... era melhor com o PS. Vá lá saber-se porquê. Ou até sabemos.

A quatro meses das eleições regionais, parece mais fácil enfrentar um adversário abatido, com um líder que já abdicou, do que admitir o confronto com outro que vem mais animado e tem um palco nacional. Como já foi recordado, se os resultados das últimas eleições se repetissem em Outubro, a maioria absoluta do PSD estaria presa por três lugares. Em quatro meses, o risco de perder esses três deputados é real, mesmo perante uma oposição fragmentada em quase uma dezena de partidos. Talvez por isso era melhor ter outro Governo da República. O ideal, para Jardim, até seria o PS sozinho.

2 - Era bom que explicassem, rapidamente, todas aquelas dúvidas gigantescas sobre o projecto para o Porto do Funchal. Entre toda a confusão gerada, ficámos a saber que as tais praias, muito bonitinhas no desenho, não passam de novos aterros e que os navios de maior porte nunca poderá acostar ao molhe da Avenida do Mar. Esta não é para rir, dá vontade de chorar.