Inevitavelmente, ao falar do futuro dos jovens no nosso país passa-nos pela cabeça um futuro negro e avassalador que como que por arte de magia irá arrasar-nos por completo. Por vezes eu próprio sinto que todas estas lamúrias, se é assim que podem ser chamadas, já são demais. De facto, são notórias as dificuldades que encontramos no dia-a-dia, mas as viccissitudes são próprias da vida de qualquer pessoa. Quanto a nós, jovens, as justificações passam por norma pelo passado e as "possibilidades" que tiveram os nossos pais e os nossos avós, já que na altura quem era licenciado tinha um emprego para a vida. Mas vejamos, basta recorrer a qualquer livro de história para sabermos as grandes dificuldades dos nossos antepassados. Os meus avós, naturais da Madeira, tiveram de emigrar tal como os seus irmãos e até tios, porque a situação era muito precária. Se analisarmos os saldos migratórios é evidente que muitas pessoas partiam da sua terra natal à procura de oportunidades. Obviamente que não quero que um passado difícil seja um patamar a atingir. Mas na minha humilde opinião, sinto que falta aquela garra que tinham os nossos antigos. Parecera que o acomodarmo-nos em falsas realidades viesse resolver alguns dos problemas que sentimos atualmente. Notoriamente não estamos num mar de rosas, mas hoje mais do que nunca temos oportunidades que nunca antes estiveram ao nosso alcance. Questões que se prendem com a mobilidade, a formação contínua e as novas formas de aprendizagem podem permitir-nos destacar-nos perante os outros, já que nem todos os licenciados têm hoje emprego porque a oferta de trabalho é muito grande e competitiva. Por esta razão temos de lutar por delimitar-nos dos outros e assim termos maiores hipóteses no mercado laboral. Segundo dados da Fundação Francisco Manuel dos Santos em 2009 haviam 1569 doutorados, um número bastante superior ao verificado nos primeiros 70 anos do século passado. É difícil iniciar esta longa caminhada? Claro que é difícil! Mas se queremos tirar proveito de algo na vida, temos de fazer sacrifícios e tentarmos superar-nos em cada dia. Basta olharmos a nossa ilha, e com o simples facto de parar, pensar e refletir o trabalho árduo que exigiu a construção das levadas ou dos socalcos, concluímos que apesar de, no passado se encontrarem dificuldades tentava-se sempre dar a volta. Todo este trabalho árduo, transformado em obra, enriquece a nossa paisagem e o nosso património. São parte fundamental para sermos conhecidos no mundo inteiro. Será que não podemos atingir esse feito, sendo nós, os jovens, os protagonistas? Talvez sim, porque para termos um futuro melhor, teremos de fazer cada vez mais por merecê-lo. Texto escrito para o programa 'Voz na Matéria' na TSF

Sérgio Rodrigues, Aluno da UMa