Restando a dúvida quanto à eficácia da receita mas descansados pelo facto da sua aplicação ser imposta objectiva e externamente e de não estar vulnerável aos calendários eleitorais e aos delírios nacionais, desejamos, na certeza de um esforço tremendo, acreditar que a crise será ultrapassada. Enquanto isso, e porque se impõe com naturalidade, olhemos para a frente, admitindo, com felicidade, o espaço que o futuro nos reserva e encontrando nele a expressão para as nossas ideias, sonhos e desejos que por existirem nos mantêm vivos e porque sem eles pouco nos restaria. 2019 marcará os 600 anos da descoberta da Madeira. Razão para festejos, para honrarias e animações da mais diversa ordem. Mas muito mais do que isso, 2019, deverá constituir um marco histórico não só de comemoração mas de viragem e de afirmação da Madeira e desta no Mundo. Olho para 2019 como uma gigantesca oportunidade de desenvolvimento da Região mas, acima de tudo, da sua população. Todos reconhecemos a evolução recente da Madeira, o que não invalida que se pense no assunto e se deseje melhor (e não tanto mais), noutras dimensões, para além das conseguidas e que se apresentam prontas para vencer. Reservando o período de 2017 a 2019 para as comemorações propriamente ditas, os cinco anos que faltam constituem um espaço de trabalho exigente mas, simultaneamente, aliciante e envolvente. Admitindo, apenas, neste, a dimensão cultural, imagino tudo aquilo que poderíamos fazer para contribuir para um definitivo enriquecimento das pessoas desta terra e, com todo esse trabalho, o que ganharíamos no que à nossa presença externa diz respeito, nomeadamente através do potencial que dai advém para a nossa promoção além fronteiras. Em cinco anos, os próximos, impõe-se estudar, sistematizar, valorizar, organizar, coordenar, articular, implementar e cooperar, com aquilo que temos, aquilo que podemos vir a ter e a oferecer. Simultaneamente, é tempo de estabelecer pontes para fora, fortalecer ligações, conquistar contactos, potenciar acontecimentos e valorizar a nossa existência. Encontro razão para enaltecer a cultura, nas várias dimensões e formas da sua existência, em todo o universo escolar, com medidas profundas a envolver, inclusive, os programas pedagógicos e a investigação. Em todo o espaço popular, com o desenvolvimento de parcerias e programas alargados por todos os intervenientes da causa pública (Estado na Região, Governo, Câmaras Municipais, Juntas de Freguesia, Casas do Povo, Associações, Clubes e outras organizações). Em toda a dimensão empresarial, priorizando o envolvimento, gerando atratividade por via de uma verdadeira política de mecenato e relevando, a responsabilidade social. Em comum, a adopção de um grande objectivo de consolidação de uma mudança profunda, geradora e motivadora de uma nova e distinta atitude individual e colectiva. Imagino tudo isto na certeza da realização de cada um de nós, da felicidade que daí virá, da afirmação daquilo que nos distingue dos outros, do sentimento e da honra que nos preencherá a alma insular que só a nós pertence.
Eduardo Jesus, Economista