Francisco Leite Monteiro Como refere o Diário de sábado, a propósito das declarações, no Palácio de São Lourenço, durante a cerimónia comemorativa do Dia de Portugal, o Representante da República "aproveitou para dar uma lição de História, que também pode ser entendida como um recado aos actuais políticos". Sem recuar muito no tempo, cabe recordar o primeiro artigo que escrevi para o Diário, já lá vão 10 anos, publicado no dia em que foi comemorado, por assim dizer, o primeiro centenário da autonomia da Madeira, em que igualmente citei passagens do "Elucidário Madeirense" da autoria de Fernando Augusto da Silva e Carlos Azevedo de Meneses, publicado em 1921 e reeditado em 1940: "O dia 8 de Agosto de 1901 figura como uma data memorável nos anais deste arquipélago. Foi nesse dia que o conselheiro Ernesto Rodolfo Hintze Ribeiro, então presidente do conselho e ministro do reino, referendou um decreto concedendo à Madeira a autonomia administrativa nas mesmas bases em que já anteriormente fora concedida aos distritos açorianos. Não é sem dúvida uma autonomia com amplos poderes de administração local, mas representa um dos mais apreciáveis benefícios com que tem sido dotada a Madeira num longo período de séculos e certamente o maior de todos, no que diz respeito à concessão dos meios indispensáveis para a fácil realização de importantes melhoramentos materiais". E, como diz o Elucidário Madeirense, a propósito das faculdades e atribuições consignadas no decreto, as mesmas passaram a residir "… numa corporação administrativa, que tem o nome de Junta Geral, cuja organização e funcionamento diferem das suas congéneres do resto do país. … … O primeiro Presidente da Junta Geral do Funchal e que a ela prestou relevantíssimos serviços foi o Conselheiro José Leite Monteiro e teve como primeiro chefe da sua secretaria o Dr. Manuel dos Passos Freitas …" Curiosamente, há 10 anos, não deixei também de mandar alguns recados aos políticos, mais exactamente aos partidos políticos que, entre si, dir-se-ia, disputavam a "paternidade" da autonomia, assim terminando o meu artigo: "Em suma, a PATERNIDADE, o verdadeiro dono da autonomia da Região, que agora celebra o primeiro centenário, nunca poderá ser outro que não seja o próprio Povo Madeirense."