Aqui estou eu para partilhar o meu sentir sobre a situação actual do país ao qual pertenço. Sendo que já ninguém acredita em milagres nem em mentiras, importa questionar o sentido da actual classe politica, que descaradamente cria cenários histéricos e exibicionistas, não só para dar nas vistas como também, e essencialmente, para agarrar com sofreguidão o poder, mais podre do que nunca. Não enxergarão estas senhoras e senhor que chegou a hora de abandonar a figura do pavão, associada à política, optando por continuar a pavonearem-se em áreas mais artísticas. Desde a moda até à abundância de concursos e festivais, não faltarão oportunidades de passear fatos, gravatas e até os melhores cortes de cabelo. Precisamos de gente sábia, honesta e dedicada, sem pretensões a capa de revista nem concursos de beleza internacionais, gente com consciência que pertence a um país fantástico repleto de recursos e beleza, subaproveitados e até mesmo esquecidos. Gente que não se envergonhe de viajar em classe económica, nem de prescindir de motoristas e mordomias obsoletas, que não sinta o prestígio na "montra" mas sim na magnificência dos seus actos. A maioria de nós tem sido cúmplice de todos estes exageros e mediocridades. Vivemos em democracia e por isso governa quem foi eleito. Será que os portugueses se identificam com este modelo de governação que não ata nem desata, gasta mais do pode e faz tudo para ficar bonitinho na fotografia. A imagem que domina e falseia as intenções. Falar, refilar, resmungar, insultar, não basta. Precisamos de ideias, não originais nem criativas, ideias exequíveis e sérias. Precisamos de projectos para um país, pessoas que saibam comunicar ao invés de apenas falar, que pratiquem o silêncio não só para ouvirem os outros como também para se ouvirem a si próprias. Pessoas sem verdades absolutas, mas dispostas a procurar soluções, assumindo os erros no desbravar do caminho. Pessoas que tenham a noção da partilha das ideias e da construção em equipa. Existem tantas neste país. O que as fará permanecer em silêncio? Sinto-me triste por não conseguir sentir um pulsar colectivo que me faça acreditar que em breve vamos mudar. Arregaçar as mangas e trabalhar cada um no seu ofício, com o sentido do dever de participar na criação de um país mais forte e seguro, capaz de nos proporcionar qualidade de vida e orgulho de sermos afinal tão europeus quanto os outros. Para isso precisamos de credibilizar a classe política, pois se não mudarmos a concepção do seu significado, estamos perto de um fim, triste e humilhante. Na minha opinião, Portugal merece muito mais…

Manuela Parente