Não haverá, neste momento, situação mais gravosa para Portugal do que a continuação de Sócrates e do Governo socialista à frente dos destinos do País. Assente numa máquina infernal de propaganda paga por todos nós, que vai continuar a usar, como se tem estado a ver neste ambiente de pré-campanha que já se vive. Fiquem cientes de que, encostado ao Estado e ao poder político e às estruturas de propaganda que montou, o PS, vai servir-se dos meios que o Governo lhe proporciona para a campanha eleitoral que se aproxima. Vejamos o que se passou quanto aos factos mais próximos da demissão do Primeiro Ministro. Todos nos lembramos que a meta do Governo para 2010 era um défice um pouco acima dos 7 pontos. Ora bem - o Governo, para além do artificio do Fundo de Pensões da PT, proclamou que tinha conseguido reduzir o défice para 6. O Eurostat detectou valores que tinham sido ocultados, designadamente do BPN e o défice de 2010 ficará acima dos 8 pontos. Todos nos lembramos de como o Governo embandeirou em arco com a execução orçamental de Janeiro a Fevereiro de 2011, que tinha sido tão boa que o Governo tinha ganho uma folga de 800 milhões de euros. Técnicos do Banco Central Europeu e da Comissão Europeia concluíram que o Governo tinha lançado mão de truques, designadamente, impedindo pagamentos nos primeiros dois meses, criando a falsa ideia de redução da despesa. Foi por força desses "buracos" que a União Europeia impôs a revisão do PEC já em 2011, com a redução imediata de pensões e das transferências para as Regiões Autónomas e para as Autarquias. Tínhamos, assim, um primeiro PEC IV só para 2011 e em Abril teríamos um PEC V para actualizar 2012 e 2013. Só que o Governo que tinha mentido, não tinha margem para assumir os fracassos registados. Daí que, com falta de espaço para apresentar dois PEC's, num espaço de um mês, misturou tudo no mesmo molho - as medidas para 2011 e as medidas para 2012/13 e, pela calada, comprometeu-se, em Bruxelas, com a União Europeia, pensando que, dessa forma, obrigaria o PSD a dar a sua concordância, ao mesmo tempo que disfarçava o desastre da sua Governação. E é esta personagem que chefia o Governo do País que fez o mal e a caramunha e quando pressente a inevitabilidade de recurso à ajuda externa, por sua exclusiva culpa, demite-se. Não vale a pena o Eng. Sócrates fazer de vítima! Quem nos pôs na banca rota não merece a confiança dos portugueses para nos retirar deste atoleiro em que nos meteu!

Guilherme Silva, Deputado do PSD na AR