Num tempo de dificuldades financeiras que impõem mudanças para os serviços públicos de saúde, a racionalização que é necessária fazer nas despesas com a saúde, não podem pôr em causa a qualidade e a eficiência dos serviços e dos cuidados disponibilizados á população. É confrangedor observar que os responsáveis pela administração do sector, continuam a persistir num clima hostil e de desinquietação para com os diferentes profissionais, rompendo com a fundamental confiança tão necessária no sector. O sucesso de qualquer administração, depende de uma boa governação, que se caracteriza pela capacidade de dinamizar e articular um conjunto de instrumentos de influência que identifiquem, negoceiem, estabeleçam objectivos e avaliem as regras e as decisões a adoptar. Não basta apenas a formulação de orientações gerais, é necessário desenvolver processos de trabalho que em conjunto com muitas outras variantes sectoriais, possam aprofundar o grau de participação e de responsabilização cometidos a cada sector profissional. Tendo em conta o contexto sócio económico, os aspectos estruturantes do sistema e a sua função social. Importa definir um horizonte temporal para a concretização dos objectivos e a materialização das medidas em conjunto com os profissionais e não contra eles. Os acontecimentos que se têm verificado nos últimos anos na administração do Serviço Regional de Saúde caracterizam-se pela inexistência de um plano estratégico de intervenção, ausência de valores que aprofundem a humanização dos cuidados e dos serviços disponibilizados, ausência de explicitação dos motivos a curto e a médio prazo que permitam uma gestão fundamentada e informada, baseada na prática que envolva os diversos intervenientes e decisores aos vários níveis. É cada vez mais sentida a falta de transparência, coerência e democratização dos processos de decisão que permitam uma análise independente, transparente, participada e efectiva do que está a acontecer e do que se pretende implementar. Neste sentido e tendo em conta as medidas de gestão adoptadas é importante conhecer os impactos financeiros, organizacionais e qualitativos das alterações feitas nos vários serviços, cirurgia, ortopedia e medicina do hospital, assim como nos cuidados primários de saúde. No que toca aos cuidados de enfermagem é importante conhecer os impactos na qualidade e no volume de cuidados de enfermagem disponibilizados aos utentes, famílias e comunidade após as saídas recentes de enfermeiros para a aposentação, da redução dos tempos de trabalho semanais, agravando ainda mais, os crónicos défices de horas de cuidados de Enfermagem em muitos serviços. Perante o progressivo aumento das necessidades em cuidados de enfermagem, teima o Serviço Regional de Saúde em não admitir mais Enfermeiros nos serviços, num ciclo de desgaste e desmotivação cada vez mais acentuado, vivenciado pelos profissionais no exercício da sua actividade.
Juan Carvalho