Mário Tavares A família humana fez nascer em si própria um ninho de vampiros e estes depressa subiram para a categoria de veio condutor. Utilizam dois caminhos: um é ganhar o domínio das consciências para orientá-las; outro é congregar as riquezas e subordiná-las a um estatuto de dependência sob o seu comando.... ...Depois que o dinheiro se tornou a moeda de troca nos mercados, uma evolução técnica que deveria estar ao serviço de todos, os vampiros souberam dar-lhe a volta e instalaram-se no cofre. O dinheiro, metal precioso, não apodrece. Hoje o desemprego em massa e a desmontagem dos direitos sociais são o retrato mais expressivo da desumanização neste terceiro milénio. Roubam às pessoas a dignidade humana e o direito de viver do suor do seu rosto. Ao mesmo tempo surgem bezerros de ouro, os tais bilionários que o neoliberalismo entroniza. Estamos perante uma máquina assassina para milhões de pessoas e há esforços para que esta máquina fique instalada nos estatutos públicos da governação. Moisés, quando apareceu o bezerro de ouro na categoria de deus no meio do seu povo, não teve outro remédio senão queima-lo, reduzi-lo a pó e, misturado com água, obrigar o povo a bebe-lo. Exodo 32, 20. A globalização tem funcionado como um tsunami tentacular, invadindo todos os espaços, sugando tudo quanto há de valor e deixando um rasto de enormes chagas e dívidas aos ombros das vítimas. Um resumo das últimas operações de enriquecimento: o colapso dos mercados financeiros em 2008/2009 foi o resultado de uma fraude, um acto organizado para sugar dinheiro. E o dinheiro foi-se, desapareceu, mas não se evaporou. Quantos faliram? Depois foi preciso apagar o escândalo dos bancos falidos. Wall Street deu instruções e os dinheiros públicos foram usados como biberões em favor da banca. A generosidade dos grandes em favor próprio serviu-se dos governos e utilizou os dinheiros dos pobres cobrados nos impostos. Também Portugal fez-se ama e acarinhou o piruetas falido chamado BPN. Os dinheiros e os governos são manuseados por alguém, supra autoridade e supra impostos, cuja cara não se conhece, uma propriedade privada sem título mas cada vez mais senhora da riqueza, a que tudo se vai sujeitando. Agora, após esta (dignificação) da riqueza, abre-se o mercado do crédito. E as nações quase falidas vão sendo postas à parte, na eminência de um leilão disfarçado. Portugal lá está. E nós, povo, todos à rasca. Estas democracias representativas, aninhadoras de vampiros, dão azo a que a governação, nas mãos de devocionários da riqueza, tudo faça e deixe para o povo eleitor a herança das chagas, dívidas e bancarrota. A cidadania terá que precaver-se contra este cancro corrosivo nas democracias. É necessário que as democracias sejam participativas. Cada cidadão terá que situar-se no rumo nacional e regional, ganhar a consciência dos direitos comunitários e pessoais e funcionar como soldado a tempo inteiro e em serviço.