A primeira vez que ouvi falar da Berklee College of Music foi em 1976. Entrara nesse ano para a Academia de Música da Madeira. Dois colegas meus, Luís Filipe Aguiar e Humberto Fournier, músicos formados nas Noites da Madeira, deram-me a conhecer a actividade da escola americana. Falar da Berklee, era um assunto tabu dentro da nossa instituição. Vocacionada apenas para a música clássica, a classe docente para além de ignorar a sua qualidade e prestígio internacional, não vislumbrava outros ídolos que não estivessem no catálogo da Deutsche Gramophone. O sonho da minha geração era conseguir fazer um curso na Berklee College of Music, mas havia uma série de condicionantes, entre as quais, ter alguém natural dos Estados Unidos que se responsabilizasse por nós, enquanto fizéssemos os estudos musicais… Como tudo isto mudou. Estou a falar da evolução musical da Madeira. Estou a referir-me aos alunos madeirenses que concluem na região os seus estudos e que, independentemente da sua área de pertença musical e instrumento tocado, já ouviram falar da referida escola, ao longo do seu percurso educativo. Alguns, já experimentaram o ensino multidisciplinar da Berklee, em cursos de Verão, ou ficaram mais tempo a residir em Boston, usufruindo assim de uma das mais emblemáticas metrópoles da música, a nível mundial. O lema da escola, a maior faculdade independente de música do mundo, aberta em 1945, continua a manter-se e a fazer toda a diferença: "To be, rather than to seem" (Ser, em vez de parecer). Porque falar de música é falar global, o ser em vez de parecer deverá também ter aplicação concreta no mercado artístico. Assim, urge organizar as práticas musicais, em patamares distintos: música executada por profissionais, música executada por amadores e música de âmbito académico… os palcos e os cachets, merecem também essa diferenciação. Os mais qualificados, agradecem!

Vítor Sardinha, Músico