O país vive um dos momentos mais difíceis da sua longa história resultantes de uma situação económica financeira extremamente grave, próximo do colapso que o Primeiro Ministro, num autêntico movimento de ilusionista, próprio de uma actividade circense, tenta fazer crer que o país está ultrapassar a crise quando os resultados negam essa aparente evidência. Os portugueses estão cansados de ouvir falar em dívida soberana, da entrada ou não do FMI, de Angel Merkel que do seu pedestal vai sufocando cada vez mais Portugal, por força da obsessão do controle de déficit orçamental das contas públicas, que deve existir mas não da forma como está a ser imposto e de uma União Europeia incompetente e incapaz de criar condições que potenciem aos países localizados a sul da Europa uma efectiva recuperação das suas economias. Os dados económicos não iludem. Temos um país em recessão económica, previsível desde o momento que o Orçamento foi aprovado, a inflação a crescer perante a escalada do aumento do preço do barril de petróleo e dos produtos alimentares imprescindíveis ao nosso dia a dia com consequências a nível das taxas de juro que tendem a crescer, com taxas de desemprego a registar valores históricos, com o tecido empresarial português em destruição, com a agricultura reduzida a quase nada, instabilidade social a subir de tom, famílias a viver dias muito difíceis face ao aumento do custo de vida e à escassez dos seus já parcos recursos financeiros. É neste cenário catastrófico, conhecedor do próprio, que o Prof. Dr. Cavaco Silva irá tomar posse, no dia de hoje, como Presidente da República, para um mais mandato de cinco anos. Ao Presidente da República exige-se que exerça a sua magistratura em cumprimento dos deveres que a Constituição o obriga, mas sobretudo que, neste novo mandato, seja muito mais interventor, determinado, ousado e que utilize todo os meios constitucionais que dispõe para mudar o actual estado em que nos encontramos, impondo as alterações que julgar oportunas para inflectir o rumo que estamos a tomar e que nos conduza a uma efectiva recuperação económica. Espero que o Presidente da República assuma o seu verdadeiro papel e que seja agente motivador, aglutinador de vontades, gerador de confiança, garante da estabilidade social e que crie efectivas condições para sairmos rapidamente da crise onde estamos mergulhados.

José Manuel Oliveira, ex-Administrador ALM