Maria Ornelas Todos concordam com esta "máxima", que bem podia ser de " de la Palisse". Não é. É da conjuntura! O povo di-la à boca cheia, tentando mentalizar-se que vai poupar. Dizem os pais aos filhos, os patrões aos empregados, os maridos às mulheres (ou vice-versa). Dizem os bancos às famílias, as câmaras aos munícipes (é preciso poupar na água, é verdade!) e até diz a "Casa da Luz", mais os seus funcionários cheios de brio, na defesa da empresa para a qual trabalham (compreende-se!):" é preciso incentivar o consumidor a poupar durante o dia e a utilizar mais as 'Horas de Vazio'"- traduzindo, ter uma tarifa bi-horária é importante, porque a electricidade " gasta" à noite é mais barata. O que não se compreende é a forma como esta empresa (a Empresa de Electricidade da Madeira) quer que os clientes poupem: a hora dita mais barata, começa às 23h, quando o povo já está farto de trabalhar e as luzes estão praticamente a apagar-se em casa. Quando reclamamos das contas da luz, o que nos dizem é que devemos rentabilizar mais as tais "Horas de Vazio": "gastar" luz, só a partir das 23h, para ser mais barato. Posso até tentar compreender isto, enquanto há luz solar, mas o que devemos fazer a partir do momento que o sol se põe, altura em que a maior parte de nós, felizmente, já está em casa? Desligamos a TV, o PC, o frigorífico, o congelador, as luzes… acendemos o candeeiro a petróleo (o petróleo também está caríssimo!) e esperamos que as 23h cheguem? E o mais caricato de tudo é aqueles que têm a tarifa bi-horária, pagam o kWh diurno mais caro do que no tarifário único, e os que têm tarifa única pagam mais caro a partir das 23h. E o "caricatíssimo" é que não temos outro remédio: é pagar e calar… ou viver à luz da vela! Uma coisa é certa: a EEM tem funcionários muitos empenhados (pacientes … e com um sotaque madeirense muito puxado à norma de Lisboa) em esclarecer os clientes, com argumentos convincentes.