Alain Glacet Fiquei consternado ao ler as recentes noticias sobre os operadores turísticos franceses "low cost" que pretendem trazer para a Madeira um tipo de clientela que, habitualmente, não escolhia este arquipélago para as suas férias. "Esta operação da GPS Tour está dirigida a um segmento de mercado mais baixo do que é normal encontrar-se na Madeira..." , lê-se no "Diário de Notícias" do dia 13 de Janeiro de 2011. Também fiquei frio quando li o artigo do Diário de domingo passado onde o delegado da Aigle Azur, Tiago Martins, anunciou que desistiu da rota Paris-Porto Santo porque, cito : "o operador Francês Promovacances está a vender o produto Porto Santo a um preço irrealista com a categoria do destino, nomeadamente na época do Verão... A preços desde 499€/pessoa com taxas incluídas. Compreende transporte aéreo, transferes para os hotéis e alojamento com todas as refeições... Não é o tipo de turista que pretendíamos transportar para Porto Santo, pois são tarifas que estão ao nível de uma semana de férias na Túnisia..." A Madeira viveu, e bem, durante décadas, com uma clientela francesa de meia a alta gamas, e nunca precisou de clientes "low cost "! Não é porque este produto existe, por necessidade, em outros destinos, como a Tunísia, que a Madeira tem de o copiar. Aqueles países receptores de clientes com fraco poder de compra, têm vários milhares de camas, salários mínimos extremamente baixos, e economias em nada comparáveis a Madeira. Eles precisam de uma clientela com poucos recursos. A Madeira não! Aqueles operadores "low cost" só conseguem preços baixos aproveitando o mau momento que vive o Turismo da Madeira, especialmente pelo impacto desastroso do 20 de Fevereiro de 2010, para estrangular as companhia de aviação, os hotéis da região, as companhias de autocarros, e os restaurantes do Faial e do Porto Moniz, entre outros ! O pior é que, por tentar não perder cota de mercado, os operadores turísticos franceses históricos, foram forçados a renegociar os preços com os seus parceiros, quando, na realidade, sem esta concorrência, não tinham necessidade disso. Resultam preços mais baixos que vão trazer uma clientela inadequada para Madeira sem que os parceiros madeirenses e os operadores históricos ganhem mais um euro com isso... Já vemos que esta clientela tem o dinheiro extremamente contado e não faz excursões, não compra nos restaurantes, nas lojas, nem gasta nos hotéis porque, muitas vezes, viajam com "tudo incluído"... Oxalá este fenómeno não consiga pegar na Região, porque seria, de certeza absoluta, o fim do turismo francês de qualidade. Também é importante destacar que quando um destino tem fama de ser barato, é muito difícil recuperar e voltar a vender a um preço razoável... O que, obviamente, representa um perigo gravíssimo para a economia da região. Espero que o bom senso prevaleça e que outras companhias, como a Aigle Azur, e outros Operadores Turísticos Franceses, abram os olhos, e prefiram trazer menos clientes mas com mais poder de compra. Para que os turistas gauleses possam continuar a descobrir a ilha gastando o seu dinheiro em todos os negócios que do turismo vivem ; aluguer de carros, táxis, mini-bus, autocarros, guias oficiais, restaurantes, jipe safari, passeios no mar, levadas, lojas, discotecas...