Na Madeira, usa o povo a expressão "vai despencar" para apontar algo que, mais cedo ou mais tarde, cairá de podre. Segue-se a "Lei da Gravidade": depois de "despencar", invariavelmente, cai. Aplica-a o povo em alusão a um qualquer fruto que não tarda a esborrachar-se… O Jardinismo vai despencar! Inevitavelmente, apodrecerá… Com Alberto João Jardim à cabeça, cairá de podre. No Parlamento foi votada uma Moção de Censura ao Governo de Alberto João Jardim e ao seu prometido "mandato social". Num quadro de maioria absoluta, mesmo quando não matam, as moções de censura podem moer. Correspondem a um instrumento de acção política que visa desgastar o Governo, neste caso, confrontando-o naquilo que prometeu com o contraste aberrante do realizado. Porque o Governo mentiu: prometeu o "mandato social" e está a desencadear o mais anti-social dos mandatos; porque o Governo enganou o Povo: prometeu obras, como o novo Hospital, e agora diz que tudo não passou de uma brincadeira; porque o Governo traiu a Região e as suas populações: apresentou um "Programa de Governo" que não irá realizar; porque o Governo traiu a Autonomia: na medida em que não a exerce para travar ou minimizar as erradas e injustas políticas impostas na República; porque é preciso contribuir para que se acelere o processo de decomposição do regime, a Moção de Censura contribui, no plano institucional, para que a putrefacção do iníquo regime se intensifique.

Edgar Silva, Deputado do PCP