Neste momento Portugal está a pagar (e o governo festeja) taxas de juro a 7% . Com a inflação a 2% a taxa real fica em 5%. Muito longe do crescimento económico esperado que será negativo. Portugal teria de crescer pelo menos 4% ao ano para suportar este crescimento da dívida. Repare-se que só nos 4 primeiros leilões do ano os juros subiram 220 milhões de euros! Não nos devemos esquecer que a actual dívida é uma má dívida. Não é uma dívida para se investir (e criar riqueza). É uma dívida para tapar buracos (leia-se pagar dívidas antigas). Estamos pura e simplesmente a substituir dívida antiga por dívida nova, só que com juros mais altos. Só este ano a dívida pública vai atingir 158 mil milhões de euros. Só em juros o Estado terá de pagar 6326 mil milhões de euros! Uma loucura! Já em 2010 o governo gabou-se de ter colocado o défice em 6,8%. Esqueceu-se de acrescentar um pequeno pormenor: isso só foi possivel devido ao fundo de pensões transferido pela PT (2800 milhões de euros). Sem essa transferencia o défice teria sido de 8,5%! Quanto às previsões para este ano: o investimento cai 7%. O consumo privado desce 3%. O desemprego vai aumentar. As falencias vão crescer. As dificuldades no acesso ao crédito vão agravar-se. Tudo somado: Recessão. Entretanto os impostos aumentam. As deduções diminuem. Tudo junto poderemos estar a falar de uma quebra do PIB na ordem dos 3%! Neste momento o problema de Portugal já não é só o défice. Nem é um problema político. Já é bem pior: é não ter crescimento, ter o desemprego descontrolado e a economia não conseguir pagar as suas dívidas. Pergunto: não será melhor sermos governados por competentes alemães que por incompetentes portugueses. Dirão: "mas isso é uma humilhação!" Respondo: "Pois é. Mas também não é uma humilhação sermos governados como temos sido?!". Mais recentemente o governo ficou contente com a execução orçamental de Janeiro deste ano. Lamentável. Em Janeiro o que correu supostamente bem foi o aumento das receitas (+15%). Ou seja, retirou-se mais dinheiro aos portugueses e às empresas para entregar ao monstro Estado. Repare-se: os portugueses estão mais pobres, a economia em recessão e a receita fiscal ... aumenta! Então isto não é contranatura? Quanto à despesa do Estado caiu 3%.Insignificante. Se Portugal fosse um país a sério já teria um governo de Salvação Nacional (imposto por Belém). Um governo para uma legislatura. Mas onde não figurassem alguns membros dos últimos governos nem os do presente governo. Seria um governo com credibilidade pois os membros não teriam cadastro. Nesse governo os independentes deveriam ter forte presença. Em vez de andarmos a festejar juros a 7% mas sem a ajuda do FMI (mil vezes pior que o "orgulhosamente sós" de Salazar) seria mais inteligente renegociar a dívida (ou através de prazos mais largos ou através de juros mais baixos) e aceitar a ajuda da Europa ou do FMI. Uma ajuda que traria estabilidade (teriamos crédito por 5 anos) e os juros seriam mais baixos. É que assim é bem pior. Somos governados à mesma à distancia (por Berlim) e pagamos juros mais altos. Entretanto o Monstro Estado mantém-se. Ora vejam: existem 13740 organismos públicos. Apenas 1724 apresentam contas e apenas 418 são fiscalizados. É o regabofe da República.

Paulo Neves, Jornalista