Incrível, o caminho que o nosso país está a levar. Nunca fui pessimista, bem pelo contrário. Não o quero ser, mas por muito que tente, já nem sei bem o que pensar de tudo isto. Olho para os lados, penso e acho que está tudo errado! Baixam os salários, diminui o poder de compra, diminui a poupança, diminui o consumo, diminuem as vendas, a produção, as compras, produz-se menos, origina o desemprego, incentiva-se a importação… O euro desvaloriza-se relativamente ao dólar. O petróleo sobe, especiarias também. A Europa fragiliza-se, à excepção da Alemanha! Se, internamente, temos dos maiores problemas de sempre para resolver, não só financeiro, como económico, social e cultural, já externamente, tudo se conjuga para agravar ainda mais a nossa (cada vez mais frágil) posição, para dentro do país e para fora deste. A única coisa que vai bem (dizem eles…), são as receitas do Estado… que crescem e bem. Será que alguém consegue explicar, ao povo, como é que isto foi conseguido? Será que têm a coragem de dizer que foi á conta, dos cada vez maiores e injustos impostos que todos pagamos? Ainda ninguém explicou que as receitas do Estado aumentaram porque o povo está a descontar mais para esse mesmo Estado, sobre um cada vez menor salário! Tudo deve ter uma contrapartida: se pago mais, deveria receber mais. Ao invés, o que recebemos do Estado? NADA! Cada vez pagamos mais, para beneficiar menos, basta ver o estado das escolas, da saúde, das estradas, do desemprego, do crescimento económico, enfim… Tudo errado! Que esforço fazem para diminuir a despesa do Estado? Agora, alimentados pelo "lucro fácil" (angariação de receitas à conta da recita fiscal, via pagamento de impostos por parte dos que menos podem), já estão a pensar em como fazer novamente "novas medidas" para fazer aumentar, ainda mais, este tipo de receita. Contrariamente, assistimos a uma cada vez menor participação de lucros e dividendos pagos ao Estado (que até poderia aliviar a pressão fiscal sobre os particulares), por parte do Sector Financeiro (Banca) e de algumas empresas de serviço público e participação de capitais públicos (EDP e GALP). Estamos á espera de quê? Chamem já, antes que seja tarde demais, o FMI para endireitar isto tudo! E já agora, chamem á responsabilidade, todos aqueles que estão por detrás disto tudo, e peçam para prestar contas com responsabilização dos seus actos, como tantas vezes fazem com os autarcas locais. Se tiverem dúvidas, peçam ajuda ao Tribunal de Contas… Está tudo errado!
Pedro Calado, Presidente da AMAK