O povo madeirense demonstrou num passado bem recente a sua grande capacidade, coragem e determinação para vencerem as adversidades. Relembro as palavras do Presidente da Republica na sua visita dizendo que "a determinação, a coragem e a energia" dos madeirenses são "exemplos que podem ser apresentados ao país", principalmente em momentos de dificuldades. Fomos capazes de identificar os problemas e encontrar um ambiente único de ajuda e de encontrar novas soluções. A crise económica que a Madeira actualmente vive é bem comparável ao 20 de Fevereiro. Hoje, encerram mais lojas e mais empresas que o referido temporal. É muito constrangedor andarmos pelas ruas da nossa bonita cidade do Funchal e constatarmos as lojas encerradas, verificarmos as ruas quase vazias, o semblante de cabeças cabisbaixas e particularmente o espírito e a ausência de ânimo dos madeirenses. Com esta atitude que imagem estamos a dar aos turistas que nos visitam? Com este animo que confiança damos a novos investidores? Vi com muito agrado, neste DN, um importante testemunho de um turista alemão que regressou à Madeira, após o temporal, alertar e incentivar para que os madeirenses não baixem os braços nem se resignem. A crise económica que hoje é espelhada por todo o mundo, teve diferentes reacções e atitudes, e umas que levaram a superar mais rapidamente que outras, a crise sentida e vivida. A nossa reacção tarda…mas seja qual for a nossa futura reacção e solução para vencer esta profunda crise, tem de incorporar ingredientes básicos: Confiança, Honestidade, Consenso (governantes, empresários, trabalhadores, etc.) e essencialmente Acreditarmos em Nós próprios. Na minha opinião, para sobrevivermos a esta crise é essencial: 1) manter a racionalidade, o equilíbrio emocional, de forma a fazer uma avaliação ajustada das causas; 2) Conhecimento, know-how e visão estratégica, para identificar as nossas novas necessidades do mercado; 3) Identificação dos nossos pontos fracos e das nossas vantagens competitivas; 4) Fazer uma avaliação detalhada de todos os sectores publico e privado, avaliando riscos e preparando planos de acção; 5) Prioritizar e coordenar acções entre sectores numa lógica de acção comum; 6) Acabar com os destruidores de valor. Uma coisa é certa, a maneira de vencermos a crise vai depender de saber como aplicar Dinheiro (cada vez mais escasso), e muito, da criatividade dos Governantes e dos Empresários da Madeira.
Ivo Correia, Economista