No próximo dia 18 de Março de 2011 faz 10 anos da morte de Maria Ascensão, A LOIRA DA CAMACHA. Um ídolo que ouvia falar e via cantar e bailar nos arraiais, quando era criança. Ao longo de 52 anos de vida, Maria Ascensão e o seu Grupo de Folclore da Casa do Povo da Camacha mostraram que o folclore é um veículo de cultura, um dar e dar-se, mas também um meio de receber. Como ela própria dizia: "Não apenas os aplausos do público, mas sentir aquela gratidão interior de quem gasta a vida por uma causa tão nobre como é o folclore…". Ao longo de cinco décadas de vida no grupo, Maria Ascensão contou, para além do seu marido (Abel Policarpo de Freitas), com a prestimosa colaboração de António Martins (tocador de Brinquinho) e porta-bandeiras nas recepções oficiais, com o vocalista (Adolfo Freitas) e com os jovens que ia formando para integrarem o grupo. Seu trato afável e sorriso encantador, tocando, cantando e bailando, levaram a beleza e o nome da Madeira e da Camacha, em particular, aos quatro cantos do mundo. No passado dia 2 de Fevereiro fez 4 anos da morte da Professora Maria Augusta, também da Camacha. Uma mulher inquieta que desde cedo reconheceu que era urgente fazer alguma coisa em prol da recolha, preservação e divulgação das tradições da Camacha e da Região, no seu todo. Que é feito das peças de artesanato e de uso quotidiano que recolheu junto das famílias da sua terra, desde a década de Sessenta com objectivo de constituir um museu etnográfico? E os livros que publicou (sete ou oito)? Foi companheira nas andanças do Folclore da Região, co-responsável pela constituição da AFERAM e componente dos órgãos sociais no 1º mandado. Afinal, o que foi feito para perpetuar a memória destas duas figuras ilustres do folclore, que tanto defenderam e divulgaram a Cultura Popular Madeirense no Mundo?

António do Vale, Presidente da AFERAM