Ao longo da sua história, o Desporto madeirense foi-se praticando e organizando através de grupos e clubes. Em meados do séc. XX, devido à diversidade de modalidades amadoras, já praticadas, um grupo de dirigentes desportivos teve a iniciativa de criar uma associação multi-desportiva, na qual se enquadrariam essas modalidades, de forma a economizar recursos financeiros, administrativos e humanos. Foi criada, então, a Associação de Desportos da Madeira (ADM), tendo por sócios fundadores os clubes: Marítimo, Nacional e outros relevantes, à época. Após a implantação do regime democrático, o movimento desportivo madeirense teve um grande salto quantitativo e qualitativo, através de apoios governamentais: financeiro, logístico, recursos humanos, infra-estruturas desportivas e outros. Várias modalidades desportivas não resistiram à oferta e, por quadros técnicos formados e com ambições naturais de desenvolvimento da sua modalidade, deixaram a tutela da ADM, criando as associações de modalidade. Hoje, o organigrama desportivo regional assenta, na base, em clubes desportivos; em posição intermédia, as associações de modalidade e as multi-desportivas; e, na cúpula, o organismo governamental, IDRAM, o qual co-define e aplica as leis e regras legislativas da Secretaria do Desporto. Hoje, o Desporto madeirense não possui, não se apoia, nem é defendido por nenhum organismo ou entidade, estando à mercê das directivas superiores e governamentais. Os clubes e as associações não criaram estruturas financeiras e comerciais, departamentos de marketing, de recursos humanos, e outros, de forma a serem autónomos, económica e financeiramente. Assim, todos, (sobre)vivem na dependência do Governo Regional. Hoje, devido, até, à falta de recursos económicos e financeiros dos governos nacional e regional, para apoio ao desporto amador, é urgente criar uma entidade intermédia que fosse um parceiro social, representativa de clubes e associações, defensora dos seus interesses comuns: estruturas; infra-estruturas; formação; técnicos; seminários; congressos; representação regional, nacional e europeia, junto de outros parceiros; salvaguarda das componentes: económica, social e desportiva; reconhecimento institucional, etc. Essa entidade intermédia seria a Confederação do Desporto da RAM, a qual estudaria e desenvolveria, em parceria com técnicos, dirigentes e Universidade da Madeira, um Plano de Desenvolvimento Desportivo, baseado na história desportiva regional e na situação presente, e definiria as linhas de orientação para o futuro.
Urbelino Ferreira, Dirigente desportivo