Sérgio Vasconcelos Quaresma Será justa a fama da Madeira como região hospitaleira? Aparentemente, uma minoria bastante grande faz gala em exibir uma sobranceria para com os visitantes que desmente esta "hospitalidade". Persiste nessa grande minoria a ideia de que os "ingleses" são um incómodo a suportar e, se a oportunidade surgir, esfolar até ao último cêntimo. Como por exemplo: Servem-lhes pregos que mais não são que nacos de sola em papo-secos. São os pratos típicos (aliás, todo e qualquer prato) afogados de tal forma em alho que não se consegue reconhecer outro paladar - experimentem comer assim durante cinco dias e verão a opinião dos turistas sobre a gastronomia regional. Metem-nos em jipes a cair de podres, virados uns para os outros na bagageira, para entreverem as belezas da ilha por entre as testas calvas dos parceiros do banco oposto. São as atitudes pouco tolerantes para com os estrangeiros em automóveis de aluguer, as mais das vezes perdidos por causa de uma sinalética informativa feita para os que cá moram. São incapazes de lhes facilitar a vida num qualquer estabelecimento comercial ou de serviços. Comprar um selo, um bilhete de autocarro, utilizar um cartão de crédito, tornam-se obstáculos quase intransponíveis, deixando uma marca indelével de desapontamento pela forma como são tratados e que não deixarão de denunciar numa qualquer página do facebook. São os miradouros e outros pontos de interesse com os caixotes de lixo a abarrotar. Os museus fecham aos domingos (lá se vão os city breaks). É a Estrada Monumental, a nossa légua de ouro, a nossa "promenade des anglais", maltratada em tantas zonas, quando deveria ser toda ela alvo de uma atenção e protecção especiais. Convém não esquecer que tudo o que aqui existe, existe em maior abundância na costa Norte do mediterrâneo - águas tépidas, paisagens de cortar o fôlego, uma riqueza cultural sem comparação. Tudo isto a uma hora de viagem dos pontos de origem dos turistas que também nos visitam. Portanto, tomem juízo!