O Brasil é hoje a sétima economia mundial e um dos países mundiais com um maior índice de crescimento do globo. Os números são a prova de que este país sul-americano, a maior economia deste sub-continente, deixou de ser emergente no âmbito do que há poucos meses se definia como um dos quatro BRIC’s (Brasil, Rússia, Índia e China) para se colocar num patamar de destaque entre os países que fazem parte do lote das nações que Portugal pretende integrar na sua carteira de intercâmbio, atendendo às ambições estratégicas de internacionalização, com um mercado potencial de 200 milhões de consumidores. Esse trabalho e essa procura, devemos reconhecer, que o governo, agora demissionário, fez e procurou cimentar. O que se segue, seja qual for a sua cor, procurará certamente continuar. Todos conhecemos algumas das limitações do Brasil, numa perspectiva de desenvolvimento global, mas a verdade é que lhe reconhecemos as potencialidades face a um crescimento inegável, quer em termos económicos, quer em termos sociais. O que precisamos é de mudar alguns estereótipos que ao longo dos últimos anos criámos e alimentámos, um pouco alicerçados num complexo colonialista e de colonizador, que todos negamos, mas que, ao fim e ao cabo, acabamos por admitir, por tradição reprovável, e resultado de uma prática que não temos conseguido exorcizar. Acontece com o Brasil, e com outras ex-colónias, das quais nos sentimos ainda donos, um sentimento de pertença do qual não conseguimos nos libertar completamente, por via de uma descolonização trágica para os interesses nacionais e para as pessoas e entidades envolvidas. Hoje somos nações distintas, comungando uma tradição comum. Esta é, naturalmente a questão que devemos assumir, o relacionamento que devemos admitir como mais adequado, de forma que, sem constrangimentos, possamos gerir o nosso futuro e uma mão-cheia de oportunidades que serão aproveitadas em benefício de todas as partes. E é essa tradição comum que temos de aproveitar, num sentido lato, sem complexos. Os passos têm sido dados pela diplomacia de ambos os países. A questão da língua e de uma História comum são a base que nos lança num cenário de irmandade e de aproveitamento das oportunidades que se afiguram hoje como alternativas ao fraco desenvolvimento no seio das nações europeias, de uma comunidade que é ampla, mas que nos cerceia, por que desenquadrados numa disputa para a qual, afinal, reconhecemos, não estamos devidamente preparados. E temos de ser realistas. Se é verdade que neste embate, as tecnologias contam, e o nosso estado de desenvolvimento ainda mais, temos de procurar outros caminhos onde as potencialidades deste povo ganham expressão e possam constituir uma mais-valia. Temos encontrado no Brasil o caminho, que uma relação única de uma história comum deixou em aberto. A visita de Lula da Silva e de Dilma Roussef mostraram que há disponibilidade para nos ajudarmos mutuamente. Sem complexos, mas com empenho, e um desejo comum de podermos ser úteis uns aos outros. Afinal tem sido no Brasil que as maiores empresas portuguesas têm encontrado a resposta para o seu crescimento. E os casos multiplicam-se, porque o mercado consumidor é enorme e a nossa capacidade criativa e de progressão é exponencialmente maior que a dimensão restrita de um País de dez milhões de habitantes, vinte vezes mais pequena que o mercado que pretendemos atingir. E temos de fazer bem, investindo nas áreas onde podemos ser bem recebidos e com um valor acrescentado ainda maior. Hoje sabemos que há empresas que investem na produção de energia em estados brasileiros e noutros sectores fundamentais, como as telecomunicações, em que Portugal pode contribuir com um conhecimento e uma tecnologia moderna e indiscutivelmente mais adequada às necessidades de desenvolvimento que o Brasil pretende segurar no futuro. O turismo, por onde entrámos há uma dezena de anos, com empresas madeirenses, também, abriu portas, que agora se escancaram em sentido inverso. Devemos aproveitar, porque precisamos, mas sobretudo porque são resultado do trabalho que fizemos, e que os brasileiros reconhecem como bem feito.