Os juros exigidos pelos investidores para deter os títulos de dívida soberana portuguesa superaram os 8 por cento, após a ameaça da Standard & Poor's de novo corte do rating. O público e o privado falam constantemente da necessidade de melhorar as suas necessidades de financiamento. Num contexto de elevado endividamento externo e face ao novo contexto macroeconómico recessivo e de inconsistência dos mercados financeiros, boa parte da banca deixou de ter acesso aos mercados de capitais de que dependia para financiar as suas operações domésticas. Face a esta escassez de liquidez andamos a obrigar os bancos vender os seus créditos e a amortizar a sua dívida e ainda a aumentar o seu capital, encontrando aí novas fontes de financiamento, nem que seja pela melhoria dos seus ratings. Esta desalavancagem do sistema financeiro poderá se tornar numa política económica altamente recessiva. Os bancos ao emprestarem menos para melhorar os seus rácios (e consequente diminuição de risco) e melhorar a sua estrutura financeira, farão diminuir o consumo e o investimento, logo diminuindo o produto. A diminuição das taxas de crescimento farão, por sua vez, aumentar o crédito incobrável, enfraquecendo novamente a posição da banca. Os desafios para o mundo empresarial acumulam-se nesta vertente. A alteração da arquitectura de financiamento dos investimentos e dos negócios terão que necessariamente se adaptar a esta nova realidade. É fundamental analisarmos o mercado numa perspectiva de sustentabilidade dos segmentos e da criação de novos mercados de forma a não nos ressentirmos demasiadamente do desinvestimento da banca na economia. E só seremos claramente competitivos e sustentáveis nos segmentos em que formos capazes de nos diferenciar, especialmente os ligados aos mercados globais, seja pela via da atracção de capital externo, quer pela via da nossa capacidade de exportação de bens e serviços.

Cláudio Ribeiro, Sec-Geral da AJEM