A actual edição da Liga Portuguesa de Futebol Profissional pode ser dividida em três grandes blocos. Um primeiro constituído pelo FC Porto e Benfica, mesmo assim com evidente e clara superioridade portista, um segundo bloco constituído por todas as equipas que medeiam entre o terceiro e o 14º lugares, e um último formado pela Naval e Portimonense. No que concerne ao segundo bloco, em que se inserem Sporting e Braga, e, ainda, os dois emblemas madeirenses, podem catalogar-se dois grupos: aqueles que decididamente assumiam o título (Sporting apenas na ante-câmara do campeonato) e objectivos europeus (Braga, Guimarães, Marítimo e Nacional) e os que apenas almejavam a manutenção, se bem que, entre estes, emergisse um bom Paços de Ferreira, certamente a boa surpresa do ano, na linha de outras épocas, nomeadamente no que concerne à qualidade do futebol jogado. Acontece que, das equipas assumidamente com objectivos europeus, fundamentalmente Braga, Guimarães e Nacional (o Marítimo, entretanto, afundava-se na tabela), nenhuma delas conseguiu dar o esticão e ficar claramente na frente do pelotão. Nomeadamente nos últimos tempos, essas equipas foram perdendo pontos de forma surpreendente, numa amalgama de resultados e contra resultados, que faz com que, na recta final da competição, surja um lote de candidatos aos lugares europeus. No fundo, por questão de pormenores, tem sido feita a diferença ou, melhor, não tem sido feita a diferença. O Marítimo, e para falarmos das nossas equipas, só nas últimas jornadas perdeu pontos em três jogos (Portimonense, nos Barreiros, Benfica, na Luz, e Paços de Ferreira), o mesmo se aplicando ao Nacional em Portimão e na Choupana, com a Académica. Pontos que agora dariam um jeitão...

O engraçado da questão é que, no que ao Marítimo diz respeito, e depois de tanta turbulência e pedidos de revisão, pode ainda a colectividade do Almirante Reis, a manter a embalagem mostrada desde a Figueira da Foz, se colar aos primeiros na recta final. O que seria engraçado e atestaria, ainda mais, a competitividade por baixo da Liga portuguesa. Mesmo que, na baralhada das contas, só com enorme dose de optimismo se poderá pensar nas possibilidades do Marítimo ainda chegar à Europa, depois de nem sequer, para já, estar consolidada a manutenção. PS: Com a presença do Guimarães na final da Taça de Portugal, o quinto lugar agora só dá acesso à Liga Europa se os minhotos se classificarem, no final do campeonato, no quarto lugar. O que complica ainda mais as contas.

Emanuel Rosa, Repórter