Neste tempo de grande indefinição e algum desânimo, um português é motivo de orgulho para todos nós pelo seu excepcional desempenho profissional: Souto Moura. O arquitecto portuense venceu o prémio Pritzker 2011, o Nobel da arquitectura. O talento e o mérito foram premiados ao mais alto nível internacional, este prémio para alem de reconhecer o trabalho, a sensibilidade e a estetica de Souto Moura vem trazer algum alento aos criadores portugueses, sejam eles arquitectos, pintores, escultores, escritores etc. É um prémio de esperança, um prémio que ainda nos faz acreditar que vale apena esforçarmo-nos e darmos o nosso contributo para uma sociedade melhor. Apesar de todas as crises que Portugal atravessa ainda existem boas notícias, motivos de orgulho e de celebração. Tenho a sorte de todos os dias poder admirar uma das suas obras mais emblemáticas: "A Casa das Histórias", em Cascais, que acolhe as obras de Paula Rego. É um edifício plenamente integrado no tecido envolvente, que recria alguns edifícios existentes no concelho de uma forma muito original e está completamente adequado à sua função. Eduardo Souto Moura teve como mestre outro dos grandes nomes da arquitectura contemporânea portuguesa, Siza Vieira, mas soube fazer o seu próprio percurso criativo quer ao nível nacional, quer ao nível internacional ao longo das últimas três décadas.
Raquel Fraga, Historiadora de Arte