No passado sábado, no Centro de Formação de Futebol, da AFM, trinta equipas de dezasseis clubes disputaram o Fut 4 para o escalão dos Traquinas, o mesmo que dizer, dos pequenos jovens futebolistas até nove anos de idade. Por si só o evento não deveria ter mais notoriedade do que aquela que corresponde à reportagem correspondente a uma manhã de muito futebol, onde despreocupadamente os jovens evoluíram por cada equipa, em cerca de seis jogos numa só manhã. Estas duas centenas de "palmo e meio", jogaram em campos e balizas reduzidos, proporcionais ao tamanho destes grandes e futuros jogadores. Num tempo de crise económica mas tambem de valores, o desporto, particularmente o futebol, pode proporcionar um espaço de eleição, de bons costumes de cooperação na oposição, de participação cívica que os jogos comportam. Esta prática futebolística, de valor social e com grandeza afectiva, teve méritos dignos de serem homenageados. Homenagens várias para desempenhos diferentes de vários protagonistas! Desde cedo, e antes do início da competição, a colaboração de técnicos e mesmo de dirigentes de clubes, ajudando a minimizar a carência de mão de obra da organização. Para além da atitude, uma participação activa que consolida a envolvência dos diferentes agentes desportivos na construção e modelação de um edifício desportivo mais militante. Homenagem aos pais que se deslocaram ao campo para apoiar os seus filhos e equipas, na sua grande maioria com uma atitude, ganhadora mas de grande fair-play. Respeitar e fazer com que os jovens olhem os árbitros como um parceiro da organização, é fundamental para que os filhos aprendam a considerar as hierarquias, até mesmo, a hierarquia parental. Também um agradecimento àqueles que não puderam deslocar-se, também contribuíram permitindo que os seus filhos participassem na festa dos pequenos. Aos árbitros, quase todos jovens atletas, voluntários que participaram e deram um colorido diferente mas mais brilhante ao evento. Nesta dúzia de árbitros jovens, alguns deles atletas de Selecção da Madeira, destaque a um 'jovem' árbitro pai, e a uma jovem rapariga com muito jeito para juíza. Por fim, o enquadramento pedagógico dos técnicos presentes, treinadores do anonimato, mas fundamentais na educação cívica e desportiva destes futuros homens muitos deles voluntários desta sociedade. As linhas que a reportagem porventura não descortinou, ficam portanto aqui registadas, mas também aos que divulgaram o evento e a reportaram, merecem entrar para esta galeria de notáveis. Aos dirigentes, pais, técnicos e atletas, que contrastaram com o seu colorido sobre o verde do campo, deram noticias e testemunho dessa esperança de uma sociedade melhor e mais participativa, rumo a uma melhor cidadania.
Rui Mâncio, Director técnico da AFM