A cerimónia privada do funeral de Elizabeth Taylor começou com 15 minutos de atraso por este ser um desejo manifestado pela actriz em vida; chegar atrasada ao seu próprio funeral. O estatuto de Diva permitia-lhe. Elizabeth Taylor foi a última estrela inalcançável da Época de Ouro do cinema de Hollywood. Emergida como uma deusa das antigas civilizações e protagonista nos mais importantes títulos da sua época, Taylor foi Cleópatra na mais cara produção cinematográfica de sempre e solidificou a sua carreira em filmes adaptados de obras dos mais conceituados escritores e dramaturgos norte-americanos. Walter Scott, Tennessee Williams, F. Scott Fitzgerald, Louisa Alcott ou Theodore Dreiser, são apenas alguns. Aliado a este facto, a actriz foi dirigida pelos grandes realizadores da história do cinema e contracenou com outras celebridades, imortalizadas pelo "star system" de Hollywood. Vencedora de dois Óscares da Academia, não resta dúvidas sobre o impacto monumental que Elizabeth Taylor teve não só no cinema como também na cultura pop, sendo íntima de ícones como James Dean, Andie Warhol ou Michael Jackson. Bela, adulada e aclamada pela crítica, afirmou: "O problema das pessoas que não têm defeitos é que, com certeza, têm virtudes terríveis". Intemporal, vemos o quão verdade esta frase é! Revisitar a sua obra, através dos míticos "Um Lugar ao Sol"; "Gata em Telhado de Zinco Quente"; "Bruscamente no Verão Passado"; Quem tem Medo de Virgínia Woolf?"; "A Nobreza Corre nas Veias"; "A Arvore da Vida"; "A Fera Amansada"; "Mulherzinhas", entre tantos outros títulos, é "obrigatório" e encontra-se perfeitamente acessível e ao alcance de todos nós. Lamento que as novas gerações - muito ou pouco à rasca - a desconheçam e acho preocupante o seu desinteresse pelo Cinema Clássico Americano em geral. Ser-lhes-ia útil não ignorar o conteúdo de tão importante legado.
Henrique Teixeira, Director do Festival de Cinema do Funchal