Fátima Nascimento O homem parece não aprender nada com os erros do passado. A sua arrogância e a sua prepotência tornam-nos impermeáveis a qualquer tipo de aprendizagem. Estou a generalizar embora saiba que, em todas as regras, haja excepções. Eu, pelo menos espero, que sim. Só que parece não haver batalhas equilibradas entre os dois pólos: de um lado, a ganância do lucro, protegido por poderes políticos, do outro, a tentativa desesperada dos sensatos para pôr termo a esses excessos. No Japão, as centrais nucleares existem assim como um pouco por todo o mundo. O maior desastre da História, aquando da Segunda Guerra Mundial, e não passaram assim tantos anos, foi a explosão de duas bombas atómicas, primeiro em Hiroshima e, logo a seguir, em Nagasaqui que as arrasou. Agora enfrenta este país outro risco semelhante quando ainda mal passaram ainda as recordações daquela catástrofe que, também ela, teve mão humana a comandar - a explosão dos reactores. Ora, sabendo o homem que não consegue evitar a fúria da natureza, não se percebe como ainda constroem centrais que, tal como Chernobyl exemplificou, não é preciso uma causa natural, basta o desgaste do material exposto ao urânio. A energia tem de se procurar seja onde for e como for, não interessam os perigos e, provavelmente, nem pensam neles. É preciso, arranja-se, seja qual for o preço. É o mote para toda a quantidade de disparates que temos feito, ao longo dos anos. E não pensem os outros, que se encontram longe do local da tragédia que não é nada com eles. Muito pelo contrário. As radiações não se manterão no local da explosão, mas expandir-se-ão ao longo da atmosfera do globo. O que quer dizer que ninguém poderá, ao certo, determinar as rotas das mesmas. Depois, há pessoas que surgem com problemas de saúde cuja causa é sempre difícil de descobrir. Mas o que é certo, é que teremos de mudar de plano para o futuro, se não quisermos acabar como os japoneses ou repetir a tragédia ocorrida na Rússia. Não é bom para ninguém. Este é o caminho errado. A terra tem poder sobre si própria e, quando tiver que tremer, não vai em conta se, para além dos efeitos do terramoto poderá estar ainda associado outro problema mais grave e do qual ainda não sabemos proteger-nos. Quantas mais catástrofes terão de ocorrer para que os homens raciocinem livremente deixando de pensar nos lucros imediatos mas olhando também ao perigo que cada invenção pode trazer a pessoas que nada têm a ver directamente com o assunto. Investir cada vez mais num plane, afinal nos dá tudo, só temos de procurar no local certo, com cuidado e, sobretudo, com tempo. Porque muitas vezes as pressas são inimigas do bom senso.