Ao contrário do que possa parecer a alguns iluminados, qualquer acção desencadeia sempre uma reacção. A prová-lo, a reacção autorizada à acção do governo socialista (com uma ajudinha também dos social democratas) da "geração à rasca" no passado dia 12. À rasca por trabalho, à rasca por valores, à rasca para acreditar em projectos, à rasca para acreditar em pessoas, enfim, à rasca para deixar de estar... à rasca! Aliás, dados recentes do INE ajudam a perceber o porquê do "enrascanço desta geração" e da elevada adesão que a iniciativa teve: no último trimestre de 2010, a taxa de desemprego entre jovens dos 25 aos 34 anos era de 13,4 por cento. Mais de 77 mil portugueses trabalhavam com "recibos verdes" numa perfeita subversão do princípio inerente ao próprio recibo verde. Mas mais interessante do que os dados, foi ver na televisão uma frase escrita num cartão de protesto. Dizia então... "Não pedimos emprego para os incompetentes, mas pedimos que ser competente signifique alguma coisa". É por aqui que temos, parece-me, que nivelar a "COISA". Exigir à sociedade em que nos inserimos que o facto de sermos cidadãos competentes signifique algo, exigirmos a quem lidera empresas e projectos onde nos inserimos como profissionais que o facto de sermos profissionais competentes signifique algo, exigirmos aos políticos e decisores que o facto de sermos aqueles que os coloca no centro da decisão signifique algo, exigirmos que um padrão ético/moral entre seres humanos signifique algo, exigirmos que quando a justiça funciona em Portugal signifique algo, exigir enfim, a cada um de nós que quando as nossas exigências não "signifiquem algo" , mudemos de rumo, para que de facto possamos dizer com orgulho... vivo num país onde ser competente "significa algo".
Carlos Pestana, Chefe do Serviço Antena 3 Madeira