Recentemente tivemos oportunidade de participar nas Jornadas Parlamentares do PS Madeira - Açores. Foram dois dias de reflexão e constatação das realidades entre as duas Regiões. Desde logo saltaram à vista as diferenças de governação e as suas consequências. Os Açores com um governo PS, apenas há 15 anos, já contrasta, nos seus resultados, com um governo na Madeira há mais de 30 anos, cuja estabilidade nunca esteve em causa e com fases de grande disponibilidade financeira. A vivência de uma verdadeira democracia saudável e a opção por políticas adequadas, estão na origem da sua vantagem. A transmissão directa das sessões, sem censura, o respeito pelas oposições, a presença quase semanal do presidente do Governo e de todos os seus membros na Assembleia para prestação de contas, são a marca da diferença relativamente à falta de maturidade democrática na nossa Região. Por outro lado, os Açores têm colocado os instrumentos autonómicos ao serviço dos cidadãos, minorando os sacrifícios, em consequência das diversas medidas de austeridade. Não obstante a solidariedade que a todos é pedida, face à grave crise económica, é altura de se pensar correctamente em prioridades, ou seja, pensar nas pessoas em primeiro lugar. Foi assim que aquela Região, ao criar um conjunto de resoluções para diminuir esses impactos negativos, optou, por exemplo, por prescindir da cobertura de um estádio, por um fundo de emergência social para as famílias em situação de desemprego, e por um aumento no complemento de abono de família e de pensão, sem estar à espera de ajuda externa. Em contrapartida, insiste-se na Madeira em gastar mais dinheiro em obras, muitas sem interesse imediato, ignorando o aumento da pobreza, do desemprego e trocando o novo hospital, tão ansiado e prometido, por um acrescento no já saturado e desactualizado edifício. Levantem-se as vozes que estão em desacordo com tais opções Regionais, e não apenas com os erros da República!

Isabel Sena Lino, Deputada municipal do PS-M na CMF