Do que se passou nas últimas quatro semanas, permito-me registar dois temas que continuarão a ser notícia, pela importância e repercussão que irão ter, para a Madeira, nos tempos mais próximos, jamais ignorando certos contornos que podem contribuir para acentuar ainda mais, a grave situação que o País e a Madeira, atravessam. A nível nacional, como era expectável, foi o pedido de demissão do governo da República, na passada quarta-feira. Fartos da persistente incompetência e falta de rigor da governação socialista, que os Portugueses reclamavam, a notícia em boa verdade, só surpreendeu por chegar com um atraso de mais de um ano. Mais bem dizendo, quase, desde a sua posse, após as eleições legislativas de Setembro de 2009, se antecipava o fim do governo, como então comentei (Diário 2.10.09) que "os resultados acentuaram o desencantamento generalizado, a confirmação do que tenho escrito, de o povo português estar farto da ineptocracia socialista, de muitas promessas e de estórias da treta, ansioso por dias melhores e, mais directamente com a Madeira, pelos reflexos negativos que também as políticas do governo de Sócrates, tiveram para a Região". Mais uma vez vamos todos ser chamados a votar para a Assembleia da República mas, oxalá, desta vez, o voto de todos nós traduza a memória do descalabro que foi o último ano, nomeadamente, o falhanço das finanças públicas, o aumento da carga fiscal, o agravamento exponencial da taxa de desemprego, a perda de poder de compra e o retrocesso de Portugal, em relação ao nível de desenvolvimento da generalidade dos parceiros europeus. Que todos tenham presente que é Portugal que está em jogo! A nível regional, na mesma linha do meu artigo de há um mês, continua a estar na 'berra', o tão badalado 'aterro', que levou à realização do 'cordão humano' e aos apelos ao bom senso. Quase em simultâneo, surgiu uma petição pública circulada através da internet que não teve seguimento oficial e foi substituída por outra visando o envio à Assembleia da República. Apoiando-se em uma série de considerandos apelando à ponderação sobre o destino do 'aterro', a petição remata, solicitando que a Assembleia da República reanalise a Lei de Meios por forma a impedir que os dinheiros da solidariedade nacional sejam utilizados somente na reconstrução das estruturas danificadas pela aluvião de 20 de Fevereiro de 2010. Ora, isso faz crer que a petição é tão-somente para impedir a Lei de Meios como meio de financiamento, como tal prescindindo da discussão pública e da ponderação de aspectos de requalificação urbanística, operacionalidade do porto e outros. Porque continuo a acreditar na importância de, sem preconceitos ou reservas e sem menosprezar as capabilidades de especialistas e técnicos dessas áreas, mais uma vez, pela Madeira, aqui fica o meu apelo ao bom senso.
Francisco Leite Monteiro