Rute Areal "Professora, não vale a pena, nós somos a geração rasca." Esta foi a resposta de um aluno do 9º ano aquando de uma troca de ideias sobre a importância de adoptarem uma postura mais interventiva no seu futuro. Como é possível, jovens desta idade, assumirem que a solução é baixar os braços e esperar que alguém nos ajude e viva por nós? Obviamente que não tenho a pretensão de vendar os olhos a ninguém e fazer acreditar que não estamos numa situação delicada: a crise é evidente, as políticas que (des)governam o país não estão a surtir os efeitos desejados, o número de desempregados aumenta, a precariedade laboral é cada vez maior, as famílias não estão a conseguir superar as dificuldades, principalmente as financeiras. Mas será que autodenominarmo-nos de "coitadinhos" é a melhor solução? "Coitada" da humanidade se os nossos antepassados tivessem manifestado tal atitude... Alguém disse um dia "o caminho faz-se caminhando". Apesar das contrariedades, é preciso arregaçar as mangas e procurar novos caminhos. Porque é que havemos de seguir os trilhos definidos outrora por alguém? Não terá cada um de nós a capacidade de delinear novos rumos que nos levem ao destino pretendido? É importante incutirmos nos nossos jovens o espírito de luta. Apesar de o caminho se mostrar tenebroso não nos podemos dar ao luxo de desistir, de esperar que sejam os outros a lutar pela nossa vida e pelo nosso futuro. Uma das minhas preocupações prende-se com a síndroma generalizada dos nossos alunos - a "falta de pachorra" e o desânimo perante os obstáculos e a falta de visão de soluções sobre os problemas com que se deparam, quer escolares quer decorrentes do quotidiano. Se os sintomas se mantiverem ou se agravarem, como serão encarados, tratados e resolvidos os desafios quando os nossos jovens desempenharem o papel de adultos? Não nos podemos entregar ao desalento e dizer aos jovens que "não vale a pena". Caso contrário, pelo que hão-de os jovens lutar? Um conselho para encarar o futuro? "Arregacem as mangas, porque para a frente é que é o caminho!" Geração à rasca, sim. Desistir? NUNCA!