A frase é batida. Quase tão batida quanto a astúcia dos políticos que governam este País e esta Região. Na prática, voltámos ao mesmo filme que já esteve em cartaz seis vezes nos últimos 30 anos. Perante a crise, quem está fora quer entrar e quem está dentro não quer sair. Mas com esse problema já nós aprendemos a conviver há vários anos. O que é novo agora é este desinteresse pela sociedade, pelo País, pelos contribuintes que permitem estas brincadeiras eleitorais. Se o que estivesse em causa fosse uma clara mudança de rumo, o derrube do governo seria o instrumento mais adequado. É para isso que o Presidente da República tem esse poder e que os partidos da Oposição têm a faculdade de apresentar moções de censura. São as regras da democracria em que vivemos e aí não há volta a dar. Mas não. O que está agora em causa não é mudar de rumo, não é alterar drasticamente as políticas, não é ser mais ou menos social, não é atenuar a crise que nos atinge de forma cruel nos últimos anos. Basicamente, o que agora está em causa é a vontade de mudar de primeiro-ministro e de ministros e de secretários de Estado e de directores gerais. Ah, e de 'boys', claro! Se o governo mudar mesmo, o que ainda não é garantido, para a rua vão uns quantos socialistas. Os mais simpáticos à máquina partidária já terão o seu futuro bem assegurado em alguns dos melhores cargos públicos sem precisar de eleição. Os outros serão absorvidos pelo sistema das prateleiras douradas onde continuarão a fazer pouco, só que, a partir de agora, a fazer literalmente 'pouco de nós'. E se uns saem, outros entram. Serão os 'boys' do PSD, como já nos parece normal numa democracia que se baseia muito no vago conceito da confiança política. E pronto, está feita a mudança. Assim, curto e grosso. Como se Portugal fosse um clube que despede o treinador mesmo sabendo que não pode fazer mais com os jogadores que tem. É neste quadro que os portugueses são novamente chamados a votar para escolher um novo governo. Independentemente de quem ganhar, o governo será novo, efectivamente, mas engane-se quem pensa que vêm aí medidas totalmente diferentes. Porque não vêm. Não porque Passos Coelho não seja capaz de as apresentar, não porque Sócrates não se possa reiventar. Simplesmente porque o trilho que a Europa nos deixa caminhar é tão estreito que não se podem fazer milagres. É fechar os olhos e seguir em frente. Seja com este ou com outro governo. Mesmo admintindo a hipótese de pequenas alterações ao guião, o texto será basicamente o mesmo. Aos PEC's de Sócrates seguir-se-ão outros PEC's porque a austeridade é para concretizar e não se lá vai com paninhos quentes. É claro que ninguém gosta de medidas impopulares, ninguém terá prazer em baixar ou congelar salários, mas o desbarato em que vivemos desde o tempos das 'vacas gordas' a isso nos obriga. Desde a governação de Cavaco que passámos a viver acima da média sempre de olhos nos apoios europeus. Ironia do destino, chegou a hora de pagar.