Devo confessar que pensei muito para escolher o tema deste mês. Pensei em abordar "a troca de galhardetes" entre o Presidente do Club Sport Marítimo e o Presidente do Governo Regional. Contudo, este tema está mais do que esgotado, pois apesar de não existir verbas para o desporto escolar existem, e muitas, para a remodelação de estádios, cedências de terrenos e demais apoios públicos à participação desportiva. Ainda dentro deste tema, equacionei fazer uma antevisão ao derby, mas após as reacções à minha opinião da primeira volta, desisti. Não valia a pena. Pensei em comentar a situação de Queiroz que, após ver anulada a sua suspensão, exigiu a demissão de Luís Horta e questionou Madaíl. Podia, ainda, abordar as eleições que vão ditar o futuro do clube de Alvalade, a reeleição de Platini para comandar os destinos da UEFA, homenagear Artur Agostinho e a sua postura de respeito, de verdade e de princípios face ao desporto ou os jogos da Selecção portuguesa com o Chile e a Finlândia. Contudo, o que mais me marcou em termos desportivos foi saber que, ao mesmo tempo que o mundo enfrenta graves dificuldades, privações, desespero, catástrofes, medos e anseios, muitos são os milhões pagos a talentosos mas meros jogadores de futebol. A lista disponibilizada pela revista 'France Football' enumera os jogadores mais bem pagos em 2010 com início nos 30 milhões de euros auferidos por Messi. Seguem-se Cristiano Ronaldo (27,5 milhões), Rooney (20,7 milhões), Kaká (19,3 milhões), David Beckham (19 milhões), Ronaldinho Gaúcho (18,3 milhões), Carlos Tévez (15,4 milhões), Frank Lampard (14,2 milhões), Yaya Touré (13,8 milhões) e Thierry Henry (13,2 milhões). Não sendo uma questão totalmente inédita, constitui um desafio sempre pertinente tentar compreender porque razão se gastam milhões num único desporto quando milhares de pessoas vivem angustiados … incluindo os portugueses.

Andreia M. Nascimento, Directora de Com. AAUMa