Ao País? Não, quem vier a seguir terá de manter o actual quadro de austeridade, senão mesmo agravá-lo, os mercados internacionais também não apreciam mudanças abruptas e extemporâneas de governo, para mais, numa conjuntura económica mundial adversa. Aos portugueses? Não, com Sócrates ou com outro acabarão, sempre, por pagar a factura. Ao Presidente da República? Não, embora isso possa representar, para o próprio, uma vingançazinha, contudo, poderá ser duplamente associado à crise, primeiro porque com a magistratura activa, prometida no seu discurso de posse, pode ter ajudado a este desfecho, segundo porque pode ter de assistir ao filme Sócrates-2. A Passos Coelho? Não, porque ir para o governo tendo de aprofundar as medidas de Sócrates não é um bom começo, pode ser o caminho para uma morte política prematura que, no entanto, é para o próprio, preferível a perecer na oposição por colaborar com o Governo. A Sócrates? Não, tem de voltar à estrada antes do tempo, mas com o orgulho ferido pode, até, voltar a ser eleito (fala-se numa sondagem que dá o PS, apenas, a 3% do PSD). À ala esquerda da oposição? Não, alguns desses partidos podem vir a eleger menos deputados. Ao CDS/PP? Talvez, se o PSD ganhar as eleições e necessitar de um parceiro para reinventar a Aliança Democrática, ficando com o ónus de participar numa governação previsivelmente difícil, a anterior experiencia não teve um final feliz. A Alberto João Jardim? É quase indiferente, tanto Sócrates como Passos Coelho dão bons inimigos externos. A Serrão? Não, fica sem o seu enredo de campanha. À Madeira? Não, Sócrates ajudou mais, na catástrofe de 2010, do que Cavaco & Manuela Ferreira Leite - em coisas bem mais simples - e até, hipoteticamente, que Passos Coelho (Santos da casa não fazem milagres). Para quê mudar se vai ficar tudo na mesma.
Jaime Leandro, Licenciado em Relações Internacionais