Os últimos dias não nos trouxeram só más notícias. Pelo menos no que toca ao sector do turismo, ainda (e sempre) a grande esperança dos madeirenses para a criação de mais emprego e mais riqueza. É por aí que devemos seguir, já que de outras fontes sabemos que o mercado é cada vez mais curto, mesmo que sejamos positivos e que tenhamos vontade de criar novos negócios ou recuperar outros que há pouco tempo eram chão para boas colheitas. As chamadas janelas de oportunidade vão, naturalmente, surgir, para os mais empreendedores e mais dinâmicos, enquanto para a população em geral o turismo e os serviços que são alimentados pela ‘indústria da paz’ continuarão a ser a aposta mais consentânea com as características da Região Autónoma e a vocação dos madeirenses. Chegaram notícias boas. E chegam de vários sítios. Há novos fluxos turísticos alavancados em zonas onde existe transporte aéreo fácil para a Madeira. São os casos da Rússia, de onde a TAP passará a voar diariamente para Lisboa, com ligação rápida para a Madeira, e onde uma companhia aérea local se mostrou disponível para uma série de 15 voos; da Alemanha, de onde há mais voos e outros serão anunciados já amanhã pela Air Berlin; do Reino Unido, onde há uma oferta de voos superior a todos os anos passados. Enfim, boas perspectivas numa Europa que se vê agora limitada na sua oferta de férias para destinos num raio de ligações aéreas entre as três e as seis horas de duração, já que os destinos do Norte de África e da Bacia do Mediterrâneo estão ameaçados por conflitos internos que sugerem alguma prudência. Mas não é só com a desgraça dos outros que vamos beneficiar. Há perspectivas mais além, no continente americano, que até agora tem sido, de uma forma geral, olhado de soslaio pelas entidades que se dedicam à promoção do destino. Não tanto por culpa própria. Talvez porque era necessário concentrar os poucos meios disponíveis para os mercados tradicionais e outros, considerados emergentes, mais perto geograficamente. A verdade é que os preços cobrados na hotelaria para alguns desses mercados, casos da Polónia, da Espanha e de alguns segmentos em países anglo-saxónicos, por exemplo, são preços de subsistência que não pagam o verdadeiro valor do alojamento, antes servem para manter o funcionamento das unidades locais, pagando dificilmente o pessoal e os investimentos, muitos dos quais estão ainda abertos pela complacência de alguns bancos que não fecharam completamente a torneira. Há novas perspectivas de ampliação dos mercados que fornecem turistas para a Madeira e para o Porto Santo, precisamente em países mais longínquos, mas nem por isso tão longe do arquipélago. E não há nenhum truque de mágica. Temos de entrar onde existe transporte aéreo fácil. Como é agora o caso do Brasil, onde através da TAP iremos ter uma megacampanha de promoção na qual estão também envolvidas as entidades responsáveis pelo turismo nacional e regional e os aeroportos. Os brasileiros nunca viajaram tanto e têm um potencial muito grande. Ainda no continente americano sabemos da disponibilidade da companhia aérea açoriana para acções de promoção nas cidades para onde já voa regulamente de Portugal: Boston, nos Estados Unidos, e Toronto, no Canadá. Além do tráfego étnico, há potencial de turistas, que procuram ilhas como as nossas durante todo o ano: a História das ilhas atlânticas, as suas belezas naturais, o golfe e a pesca desportiva de alto-mar são aliciantes para um tipo de clientela de maior poder económico que existe e que começa a olhar para nós de outra maneira. Em voo directo estamos a cerca de seis horas da costa Leste da América do Norte. Afinal o que precisamos é de ter transporte aéreo fácil. É esse o truque de mágica nestas novas conquistas da Madeira. A TAP e a SATA são nestes casos particulares a chaves do problema e a solução mais eficaz. Enganam-se aqueles que, apontam essas companhias como o problema e não a solução. Porque, infelizmente, somos ingratos e incorremos sempre na tentação terrível de juntar o passado com o presente e não acreditarmos que as conjunturas mudam, nem confiamos em quem nos quer ajudar, fazendo o seu negócio é certo, mas trazendo-nos maior rentabilidade. Além do mais, quando somos pequenos e não temos meios próprios devemos nos juntar aos mais fortes para podermos vencer na vida. Afinal, onde é que já ouvimos falar disto? É a lei da vida. Juntos seremos mais fortes…