Fui há uns dias ver a exposição 'OS DIAS QUE PASSAM' de Tiago Silva Nunes, um fotógrafo jovem que este ano debutou na ARCO Madrid. A exposição, que está nos últimos dias, é apresentada no Núcleo Fotográfico do Arquivo Municipal de Lisboa. Falo aqui nela pois é um caso paradigmático do que pode ser feito, hoje, para memória futura. Porque acrescenta e potencia as partes envolvidas, autor e organismo/cidade que acolhe/mostra. E, sendo uma produção "leve" permite depois uma difusão por outras cidades e lugares, contribuindo para uma maior visibilidade da geografia ali retratada. Ora, numa região com boas infra-estruturas ao nível cultural e arquivístico e onde existe uma forte ligação à fotografia e sua história, parece-me um descuido que pode vir a custar caro, a inexistência de uma vontade em pensar o presente para lá das suas contingências e programas de vistas-curtas, cuidando desde já, da memória futura da RAM. Não me refiro ao simples registo de acontecimentos: naturais, turísticos ou outros; nem tão pouco à documentação visual/audiovisual, mais ou menos etnográfica, das actividades agrícolas ou industriais ainda em prática. Refiro-me a um programa mais vasto e coordenado, promovendo a eficiência, pluralidade e criatividade. Que cuide do BEM-COMUM maior e motive todos a uma participação séria, para lá das "capelinhas". Abracemos os bons exemplos, venham eles de Lisboa, de Portimão ou de Tenerife. O futuro constrói-se hoje e a cada dia.

Carlos Soares, Fotógrafo