Galileu Galilei, defendia que a Terra movia-se em volta do Sol, mas calou-se por força da perseguição da Igreja, murmurando nos seus últimos momentos "e contudo, ela move-se!"

Hoje isto aplica-se aos Povos deste Planeta, espezinhados por um punhado de especuladores, reduzidos à mais infame miséria, deixados debaixo do jugo de ditadores, aparentemente despidos de vontade e de forças mas que, agora, põem-se em movimento e fazem cair Ditadores que pareciam de pedra e cal e com os quais as Democracias Ocidentais mantinham excelentes relações.

Nunca será demais relembrar que os Ditadores Ben Ali da Tunísia e Hosni Mubarak do Egipto eram membros da Internacional Socialista e que Portugal, França, Itália, Alemanha, Inglaterra, EUA, etc., mantinham excelentes negócios com o ditador Khadafi.

Mas não é só nas ditaduras que os Povos movem-se.

Em Portugal, RAM incluída, as vagas de mudança, ainda que pequenas, começaram a sentir-se.

Fartos de serem espoliados e roubados, de verem os impostos sempre a aumentarem e os salários a serem cortados, de sentirem os flagelos do desemprego e da precariedade sempre a aumentarem, de descontarem cada vez mais para o Estado e receberem cada vez menos dele - em ajudas sociais, subsídios de desemprego, comparticipações nos medicamentos, reformas, etc., os Portugueses e as Portuguesas, jovens e menos jovens, por diferentes caminhos e de diferentes formas começaram a pôr em causa a ordem estabelecida e a exigir uma mudança.

É que já não dá serem sempre os mesmos os sacrificados enquanto que os altos cargos do Estado e da Administração Pública continuam na maior, rindo-se na cara do Povo e alguns até ganhando vencimentos maiores que o Presidente dos EUA e da Sra. Merckel, e quase todos eles mais que o Presidente da República. Já não dá ver o Governo aumentar o IVA para bens e produtos de 1ª necessidade e anunciar que vai baixar o IVA para o Golfe para 6%. Já não dá ver a especulação que é feita com os preços dos combustíveis e saber-se que o Governo mantem o gasóleo para os iates a 83 cêntimos.

Já não dá ver este País ser um Portugal só para ricos, com uma Banca a facturar muito, pagando cada vez menos - em 2009 resultado líquido positivo de 1.440 milhões de euros e pagaram 306 milhões e em 2010 lucraram 1.430 milhões e pagaram apenas 138,4 milhões, menos 56% - com o Ministro das Finanças a declarar ao Financial Times que está disponível para mais uma vez pegar no dinheiro dos nossos impostos e ajudar estes especuladores que pedem ao BCE a 1% e emprestam ao Estado a 7% e mais.

Já não dá aguentar tudo isto, sem que o GR mexa uma palha para usar a Autonomia para defender o Povo pois também ele beneficia com este saque porque os impostos ficam aqui e o que lhe interessa são as grandes Obras que ponham os seus grupos satisfeitos mesmo que à custa da não satisfação de necessidades sociais - Hospital e reconstrução do 20 de Fevereiro, da destruição da paisagem e do meio ambiente como o aterro.

Tudo isto potencia vagas de mudança.

Nas Presidenciais houve um sinal, que começou a ser perdido dado que foi esquecido que quem faz a História é o Povo e que ninguém é dono dos seus votos, muito menos para ambições pessoais.

No País, e mesmo na RAM, os movimentos da "geração à rasca" e das acções sindicais mostram que são muitas as gerações à rasca que não se revêm nos cozinheiros do regime que tem governado Portugal, no PS e PSD, e que o arrastaram para o abismo e que as forças para mudar começam a renascer.

Paulo Martins