No princípio deste mês fui desafiado a apresentar uma proposta de concepção para a campanha de esclarecimento cívico no âmbito da eleição da Assembleia Legislativa da Região Autónoma da Madeira prevista para o ano de 2011. O que se pretendia de facto, era a elaboração de uma proposta criativa com o objectivo de esclarecer e, sobretudo, de apelar a todos os eleitores a votarem nas eleições regionais que irão decorrer no próximo mês de Outubro.
Não vos poderei falar muito sobre a proposta final, até porque à data que escrevo este artigo ainda deverá estar a decorrer a análise e selecção das propostas, nem é esse o motivo desta minha reflexão. Gostaria sim de vos falar sobre os pressupostos que nortearam o meu processo criativo e a concepção da referida campanha.
De forma muito sucinta, os pressupostos que falo são em primeiro lugar um completo descrédito na política e nos políticos em geral de uma parte significativa da população portuguesa onde se inclui a população da RAM; Um desgaste generalizado dos partidos políticos; e principalmente, um divórcio crescente entre a política e os jovens que tem contribuído significativamente para as altas taxas de abstenção; apenas para enumerar alguns.
A tarefa era complicada. O desafio maior do que eu esperava. Sabemos que é fundamental votar e que exercer esse direito é o acto mais nobre e a expressão máxima da democracia. Mas isso não chega, não é suficiente, não vende.
Esboçando uma analogia com as empresas, a verdade é que muitas vezes somos confrontados com desafios semelhantes onde acreditamos no produto em que estamos a vender mas com alguém disse um dia É como a mulher de César, não basta ser, tem de parecer.
Como dizem os Ingleses é o back to the basics, ou seja, em muitas alturas só temos que saber responder as perguntas mais básicas: Quando? Quem? Como? Onde? e Porquê?
Muitos dos problemas, das contrariedades e dos fracassos que nos acontecem na vida, quer pessoal quer profissionalmente, têm por base a comunicação e, na maioria das vezes, não está relacionado com o conteúdo mas com a forma e para isso torna-se fundamental conhecermos o nosso cliente, seja ele interno ou externo.
Estamos pois, e neste caso em particular, numa situação onde os fins justificam os meios até porque como alguém um dia disse: Votar não tem preço… Mas tem consequência.
Nuno Agostinho - Empresário