A partir de Junho, as ligações marítimas entre a Madeira, Portimão e as Canárias serão operadas por um novo navio da Naviera Armas. O Volcán de Tinamar segue o mesmo projecto de construção do Volcán del Teide, navio da mesma companhia que, no último sábado, efectuou escala inaugural no Porto do Funchal, seguindo para Portimão com quase 200 passageiros a bordo, na sua maioria procedentes de Canárias.

António Armas, filho do armador espanhol, confirmou a vinda do novo navio para a linha da Madeira na chegada do Volcán del Teide ao Porto de Portimão, no passado domingo.

“A construção ainda está a decorrer no Norte de Espanha”, afirmou António Armas. “Se não houver atrasos deverá estar a operar entre Portimão, Funchal e as ilhas Canárias no decurso do mês de Junho. O navio é idêntico ao Volcán del Teide, embora apresente algumas alterações”, continuou.

À semelhança do 'irmão', o Volcán de Tinamar poderá transportar mais carga e 1500 passageiros, valor bem acima dos 966, lotação máxima do Volcán de Tijarafe, navio que, de momento, realiza a ligação entre a região autónoma, o Continente português e as Canárias.

Por outro lado, a nova embarcação encontra-se preparada para navegar a uma média de 24 a 25 nós, o que diminui, por exemplo, o tempo da ligação Madeira – Portimão em cerca de 2h30.

“Hoje [domingo], o comandante começou a reduzir a velocidade quando nos encontrávamos a cerca de seis horas de Portimão, caso contrário teríamos chegado às 6 horas da manhã”, exemplificou António Armas, recordando que o desempenho do Volcán del Teide e do Volcán de Tinamar será similar.

Uma maior capacidade de carga, incremento do número de passageiros e velocidade, bem como um padrão de comodidades a bordo mais elevado são características chave nos novos navios, constituindo, no todo, um “novo conceito” que eleva a companhia espanhola a “um novo patamar”.

Segunda rampa no Porto do Funchal

Para o Comandante da Naviera Armas, Roberto Medina Machín, o Porto do Funchal oferece condições de operacionalidade muito similares aos portos das ilhas Canárias, tanto ao nível da manobra de entrada com navegação. Não obstante, o oficial que, no último fim-de-semana esteve aos comandos do Volcán del Teide, aponta um aspecto a ser “melhorado”.

“Só há uma rampa para navios que efectuam operações de embarque e desembarque de carga rodada”, afirmou Roberto Medina. “É esse o inconveniente. A rampa tem de ser usada de forma alternada quando o Lobo Marinho e o navio da Naviera se encontram no Porto do Funchal. De resto, o porto tem óptimas condições”, acrescentou.

O Comandante recordou que essa limitação já esteve na origem de alterações de horário durante a viagem ou à chegada ao Funchal.

O projecto de expansão do porto do Funchal com recurso ao depósito de materiais a Leste do cais do Funchal, no entender de Roberto Medina, não limita as operações no porto. Para o comandante, novas linhas de atracagem são sempre positivas em qualquer porto.

Quanto ao Volcán del Teide, Roberto Medina, salienta a velocidade da embarcação e o sistema de estabilizadores capaz de anular os efeitos de ondas até aos três metros.

“O navio mantém-se praticamente direito e estabilizado em circunstâncias meteorológicas medianamente adversas”, avançou o responsável.

A Naviera Armas opera na Madeira desde 2006. Na fase inicial, os resultados foram abaixo dos esperados, uma realidade contrariada nos últimos anos com o crescimento gradual e constante no movimento de passageiros e carga, razão da aposta em novos navios.