Na vida assim como na escola, no desporto e no dia-a-dia, verifico uma crescente falta de bom senso ... Essa capacidade que uma pessoa possui, ou deveria possuir, de adequar regras e costumes a determinadas realidades e assim poder fazer bons juizos e escolhas
correctas, é muitas vezes negligenciada ou esquecida. Ou por não o ter, pois, parafraseando Ralph Emerson, o "bom senso é tão raro quanto o génio" ou também porque ao contrário da inteligência que, para além de inata é uma aquisição, o bom senso é uma dádiva. Na escola sinto, presencio e assisto frequentemente a determinadas situações que devido a decisões precipitadas, não questionadas e erradas, acabam por ter consequências negativas. Julgo que se fossem por vezes esquecidas algumas normas e tomadas decisões com base no bom senso o resultado seria mais benéfico. Os alunos, os professores, os funcionários, enfim todo a comunidade educativa ficaria a ganhar. Quantas vezes me questiono sobre a legitimidade de, por exemplo, marcar falta de presença a um aluno por chegar um minuto depois da hora estipulada. Valerá a pena castigar todos os comportamentos que não cumprem a regra estabelecida? Ou ainda, porque não desvalorizar certas atitudes menos adequadas mas que não deixam de ser insignificantes? Valerá a pena perante todo e qualquer acontecimento que fuja à norma estipulada, haver uma reacção punitiva?
No Desporto de competição, verificam-se imensas vezes situações que determinam uma reacção menos positiva do atleta, do treinador e do dirigente. Sinto cada vez mais, não só como reflexo das dificuldades financeiras que existem nesta área actualmente, que o ambiente está mais tenso. Hoje em dia é necessário que todos os envolvidos tenham o bom senso de "perceber" a conjuntura actual de modo a não tomar decisões impulsivas e prejudiciais. Compreender as dificuldades de
cada um, entender as suas motivações e a partir daí actuar, lá está, com bom senso, pode ser um caminho. Todos os intervenientes necessitam de "vestir a pele" de atletas, técnicos e dirigentes e procurar muitas vezes, agir de acordo com cada uma dessas pessoas. Também no Desporto mas de lazer, impera incentivar a sua prática mas sem exageros, sem fundamentalismos. Exercitar-se sim, mas de forma equilibrada, com bom senso, até porque o Desporto pode ter duas faces.
Bernardo Vasconcelos - Professor de Ed. Física